sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pe. Julio Meinvielle sobre os judeus‏


“Quem pode ocupar-se do judeu sem um sentimento de admiração e desprezo, ou de ambos ao mesmo tempo? Povo que um dia nos trouxe a Cristo, povo que o rejeitou, povo que se infiltra no meio de outros povos, não para conviver com eles, mas para devorar insensivelmente sua substância; povo sempre dominado, mas povo pleno sempre de um desejo insolente de dominação... (…) Os judeus dominam nossos governos como os credores a seus devedores. (…) Esta dominação se faz sentir nos ministérios de Instrução Pública, nos planos de educação, na formação dos professores, na mentalidade dos universitários; o domínio judeu se exerce sobre a banca e sobre os consórcios financeiros, e todo o complicado mecanismo do ouro, das divisas, dos pagamentos, se desenvolve irremediavelmente sob este poderoso domínio; os judeus dominam as agências de informação mundial, os jornais, as revistas, os panfletos, de modo que as massas vão forjando sua mentalidade de acordo com os moldes judaicos; os judeus dominam no amplo setor das diversões, e assim eles impõem as modas, controlam os lupanares, monopolizam o cinema e as estações de rádio, de modo que os costumes dos cristãos vão-se modelando de acordo com suas imposições. Onde o judeu não domina? Aqui, em nosso país, que ponto vital há em nossa região onde o judeu não se esteja beneficiando com o melhor de nossa riqueza ao mesmo tempo que está envenenando nosso povo com o mais nefasto das idéias e diversões? Buenos Aires, esta grande Babilônia, nos oferece um exemplo típico. Cada dia é maior seu progresso, cada dia é maior também nela o poder judaico. Os judeus controlam aqui nosso dinheiro, nosso trigo, nosso milho, nosso linho, nossas carnes, nosso pão, nosso leite, nossas incipientes indústrias, tudo quanto pode produzir utilidade, e ao mesmo tempo são eles que semeiam e fomentam as idéias dissolventes contra nossa Religião, contra nossa Pátria e contra nossos Lares; são eles que fomentam o ódio entre patrões e trabalhadores cristãos, entre burgueses e proletários; são eles os mais apaixonados agentes do socialismo e comunismo; são eles os mais poderosos capitalistas de toda boate e cabaré que infecta a cidade.
Dir-se-ia que todo o dinheiro que nos arrebatam os judeus da fertilidade de nosso solo e do trabalho de nossos braços será logo investido em envenenar nossas inteligências. E o que aqui observamos se observa em todo lugar e tempo. Sempre o judeu, levado pelo frenesi da dominação mundial, arrebata as riquezas dos povos e semeia a desolação. Dois mil anos leva nesta tarefa a tenacidade de sua raça, e agora está a ponto de alcançar uma efetiva dominação universal.”
(Pe. Julio Meinvielle, El Judío)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Entrevista de Dom Faure no primeiro aniversário da SAJM (22 de agosto de 2017)


“Sua Excelência, o que é a SAJM e qual é seu espírito?
A SAJM que ser a continuação da obra e o combate de Dom Lefebvre em sua fidelidade à fé de sempre. Nesta profunda crise da Igreja, a SAJM está particularmente destinada a proteger a vida sacerdotal e manter o fervor dos futuros sacerdotes.
Por que escolheu este nome?
Em 17 de junho de 1970, Dom Lefebvre firmou o projeto dos estatutos da “Fraternidade dos Apóstolos de Jesus e Maria”. Daí vem o nome. Essa é a denominação interna da congregação fundada por ele. Conservando esse nome, quisemos honrar a memória de Dom Lefebvre.
Dom Faure, quando e em que circunstâncias se fundou a nova congregação?
Faz um ano exatamente, na festa do Coração Imaculado de Maria, depois de vários sacerdotes e seminaristas terem manifestado a necessidade de ter um superior, uma regra etc.; que é o que tivemos sempre na fraternidade fundada por Dom Lefebvre.
Que semelhanças e diferenças há entre a SAJM e a FSSPX?
O espírito dos estatutos são praticamente iguais, mas no que diz respeito às diferenças, devemos ter em consideração a evolução catastrófica da FSSPX e esta observação de Dom Lefebvre, depois de ter lido a obra de Emmanuel Barbier Histoire du catholicisme liberál et du catholicisme social na França: “Se eu tivesse lido esta obra antes, teria dado a meus seminários outra orientação”. Com isto se referia à necessidade de uma orientação mais antiliberal.
Os estatutos da SAJM são os mesmos que Dom Lefebvre redigiu para a FSSPX?
Os estatutos da SAJM são essencialmente iguais aos que Dom Lefebvre redigiu para a Fraternidade, com algumas adequações que consideramos necessárias, observando o desvio da FSSPX. Um exemplo está no seguinte ponto que acrescentamos: “Desde o Concílio Vaticano II, o santo Sacrifício da Missa, a doutrina católica e toda a vida da Igreja são atacados pela hierarquia liberal e modernista. Porque o sacerdócio católico tem o dever essencial de combater o liberalismo e o modernismo em defesa dos direitos divinos violados, a Sociedade descarta toda possibilidade de regularização canônica por via de acordo bilateral, de reconhecimento unilateral, ou do modo que seja, enquanto a hierarquia católica não volte à Tradição da Igreja” (Cap. II,nº 5).
Excelência, como foi o desenvolvimento do seminário da SAJM?
Decidi a criação do Seminário São Luís Maria Grignion de Montfort tão logo fui consagrado, recordando aquelas palavras de Dom Lefebvre em seu “Itinerário espiritual”: “Uma coisa somente é necessária para a continuação da Igreja católica: bispos plenamente católicos, sem nenhum compromisso com o erro, que estabeleçam seminários católicos, onde os jovens aspirantes se alimentem do leite da verdadeira doutrina, de seus corações; uma fé viva, uma caridade profunda, uma devoção sem limites os unirão a Nosso Senhor”.
Todas as obras de Deus conhecem algumas dificuldades nos princípios, contudo, contamos com uns seis novos seminaristas a cada não, o que, nas circunstâncias atuais, parece ser uma benção de Deus.
Constituem o corpo professoral os padres dominicanos de Avrillé (França), e isto é garantia de uma perfeita ortodoxia e de uma formação claramente antiliberal.
Os seminaristas, ao passar a maior parte do dia no convento dos dominicanos, são formados no clima de santa austeridade que é própria dos religiosos. Lá assistem aos distintos cursos e pela tarde retornam ao seminário, que é muito próximo ao convento.
A partir deste ano, contaremos, ademais, com dois sacerdotes da congregação que nos ajudarão no seminário.
Quem integra atualmente a congregação?
Por ora, contamos com dois bispos, três sacerdotes e cinco seminaristas.
A cada ano, no segundo ano de seminário, quando recebem a tonsura, os seminaristas se incardinam na congregação.
Dom Faure, como um sacerdote pode se tornar membro da SAJM?
Basta que manifeste seu desejo, entrando em contato comigo e elevando a correspondente solicitude.
Como um jovem pode ingressar no seminário da SAJM?
Do mesmo modo. Normalmente os candidatos devem entrar em contato prévio com os sacerdotes da Resistência que desenvolvem seu apostolado nos países onde os postulantes vivem.
Haverá uma Ordem Terceira na SAJM?
Haverá, tal como foi criada para a Fraternidade por Dom Lefebvre.
O que espera Sua Excelência da SAJM no futuro?
Que assegure a continuação da obra de Dom Lefebvre com a maior fidelidade aos lineamentos que nos legou o Arcebispo, sem desviar-se à direita ou à esquerda (Pr. 4,27).
Há algo mais que Sua Excelência queira nos dizer sobre a SAJM?
Gostaria de destacar que nossa congregação não por acaso foi fundada no dia da festa do Coração Imaculado de Maria, e que foi consagrada também ao Sagrado Coração de Jesus. Levamos em nosso nome os Nomes de Jesus e Maria, e isto funda e marca nossa espiritualidade.
A FSSPX teve a mesma vocação, representada, em seu logotipo, pelos corações entrelaçados da Vendeia, mas a Fraternidade está traindo essa vocação ao buscar uma reconciliação com os inimigos de Jesus e Maria.
Nossa esperança está somente n’Eles. Deus queira que nossa pequena congregação se mantenha sempre fiel e sempre humilde, sem presunções de grandeza, a fim de que todo o que ela faça seja para a glória de Jesus e Maria.”

http://beneditinos.org.br

sábado, 16 de setembro de 2017

Dom Vital e a maçonaria

“A infiltração maçônica no Brasil e suas atividades contra a Igreja sempre deram aos observadores a impressão de que os maçons daqui seriam menos rancorosos que os da Europa. De fato, os maçons do Brasil são, como os brasileiros em geral, menos enérgicos, mas não menos rancorosos que os da França. Nem por isso deixam de odiar a Igreja e trabalhar contra ela. O episódio de D. Vital é prova disso.
D. Vital parece ter sido realmente um homem de valor e é uma beleza contemplar o olha que mostra o retrato de capa do livro abaixo referido em que colhemos os dados aqui apresentados. Seus olhos mostram uma tal mansidão e uma tal força, que ninguém pode deixar de se impressionar.
D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira nasceu em Pernambuco, num engenho de açúcar, a 27 de novembro de 1844. Seu nome civil foi Antônio Júnior. Estudou no Seminário de Olinda, primeiro, e depois em S. Sulpice em Paris, onde resolveu ser capuchinho (ramo franciscano) sendo recebido no Seminário de Versalhes onde os seus superiores, procurando prová-lo, trataram-no com tal aspereza e tanta falta de atenção que ele pegou uma doença de garganta de que nunca mais se pode curar completamente e da qual provavelmente morreu. No dia em que os religiosos da comunidade franciscana decidiram aceitar (contra a oposição do Pe. Mestre) a sua profissão definitiva, este Padre Mestre disse-lhe: "Você nunca prestará para coisa alguma. Não poderá ser sacerdote e terá muito que sofrer". Tirando a última parte, que se mostrou verdadeira (mas parece que para o bem de D. Vital), no mais não apenas falhou na sua "profecia" como mostrou uma dureza de coração incrível contra um pobre seminarista franciscano que nunca teve nenhuma rebeldia, nenhuma má vontade, nenhuma queixa. Àquela palavra dura do seu Padre Mestre, ele respondeu: "Não pedi a entrada em religião para me tornar notável em trabalhos além dos que Deus me destina. Nem mesmo a glória do sacerdócio procurei. Vim para glória de Deus e salvação de minha alma. Se não puder ser bom padre, pedirei para ficar como simples leigo e que Nosso Senhor tenha pena de mim até o fim". Apesar de tudo, quando a comunidade indagou o Pe. Mestre qual o conceito que fazia do candidato à profissão definitiva, ele declarou que o comportamento de D. Vital tinha sido sempre irrepreensível.
D. Vital foi depois para o convento franciscano de Perpignan e mais tarde para o Seminário de Toulouse onde foi ordenado em 2 de Agosto de 1868. No fim deste mesmo ano de 1868 voltou para o Brasil onde foi mandado para ensinar no Convento dos franciscanos em São Paulo. Em março de 1872 foi sagrado bispo por indicação do Governo do Império do Brasil (que então tinha tais privilégios) e aceitação do Papa Pio IX que hesitou muito porque D. Vital tinha apenas 26 anos! Mas como, em face da demora de Roma em aprovar seu nome, D. Vital, a conselho do Núncio, escrevera a Pio IX pedindo para ser dispensado do cargo (o que realmente desejava para manter-se como um simples religioso), o Papa percebeu todo o seu desprendimento e resolveu nomeá-lo. Foi nomeado bispo de Olinda e Recife e tomou posse de seu cargo em 24 de Maio de 1872.
A luta entre a Igreja e a Maçonaria no Brasil tornou-se acesa pouco depois, em virtude de um incidente ocorrido no Rio de Janeiro. Naquela época e apesar das diversas condenações da maçonaria pelos Papas, havia muitos padres que pertenciam a lojas maçônicas. Também muitos homens notáveis da época eram maçons, alguns por simples ignorância, outros, embora tendo seus nomes ligados à história do Brasil, por convicções maçônicas e mau espírito contra a Igreja. Em março de 1872, pouco antes de D. Vital ser eleito bispo, houve uma festa da maçonaria que comemorava a Lei do Ventre Livre, obtida pelo então principal Ministro do Imperador, Presidente do Conselho (chefe de governo), o Visconde de Rio Branco, pai do Barão do Rio Branco, homem realmente capaz, de notável inteligência e também grau 33 da loja maçônica da Rua do Lavradio. Um dos oradores da festa foi um padre, chamado Almeida Martins. O bispo do Rio, D. Pedro Maria de Lacerda, escandalizado, chamou o Padre Martins em particular para ponderar-lhe que ele não podia ser padre e maçom ao mesmo tempo. O Padre recusou atender a qualquer ponderação. O Bispo suspendeu-o de ordens. A maçonaria considerou-se atingida e fez uma grande assembléia que foi presidida pelo Chefe do governo, o Visconde do Rio Branco. Decidiram então iniciar uma grande campanha contra a Igreja e a essa campanha uniram-se os maçons de uma ala dissidente. Coletaram fundos e começaram os ataques. Fundaram inúmeros jornais para a campanha: no Rio, o jornal "A Família"; em São Paulo, o "Correio Paulistano"; em Porto Alegre, "O Maçom"; no Pará, o "Pelicano"; no Ceará, "A Fraternidade"; no Rio Grande do Norte, "A Luz"; em Alagoas, "O Labarum" e em Recife, dois, "A Família Universal" e "A Verdade".
Assim, quando D. Vital chegou ao Recife, já encontrou em atividade os jornais maçons que todos os dias procuravam atingi-lo com sarcasmos e injúrias. O bispo não respondia, é claro. A 27 de Julho começaram a provocá-lo. Primeiro anunciaram que iria haver uma missa em ação de graças numa loja. Diante da proibição sigilosa do bispo, nenhum padre ousou celebrá-la. Depois, pediram missas por maçons falecidos sem arrependimento e, é claro, nenhum padre aceitou. Finalmente, diante do silêncio do bispo que não respondia as provocações, nos dias 22,23,24,25 e 26 de Outubro, o jornal "A Verdade" publicou uma série de artigos contra a Santíssima Eucaristia, a Virgindade e a Maternidade divina de Nossa Senhora e a Imaculada Conceição. E para atingir melhor o alvo, uma Irmandade religiosa (várias estavam infiltradas de maçons) elegeu o autor daqueles artigos como seu presidente. Finalmente, a 21 de Novembro, o bispo D. Vital publica um protesto contra os ataques aos nossos dogmas exortando a população a protestar também. Mais tarde fez um sermão público na catedral, repetindo o protesto e acusando a maçonaria. O jornal, para zombar dele, publica uma lista de padres e cônegos filiados à maçonaria local. O bispo chama-os um por um, em particular, e obtém de todos que se retratem publicamente e se desliguem das lojas, exceto dois. O jornal publica então os nomes de presidentes, secretários e tesoureiros de irmandades que também pertenciam às lojas. O bispo faz o mesmo, mas aqui esbarra na obstinação de várias irmandades que se recusam a acatá-lo. Só duas aceitaram e as demais ou recusaram ou nem foram à entrevista. D. Vital procurou obter com amigos comuns que elas, as Irmandades, se submetessem à sua autoridade. Não conseguiu nada. Resolveu então mandar um primeiro aviso canônico aos vigários assistentes das irmandades para que exortassem os irmãos maçons a renunciarem à maçonaria ou se demitirem. As irmandades recusaram aceitar isso. Mais dois avisos se seguem e são recusados. O bispo lança então um interdito sobre as irmandades Santo Antônio e Espírito Santo, impedindo a realização de missas ou quaisquer religiosos nas suas capelas. Os maçons começaram a promover tumultos de rua. Primeiro fecharam capelas e igrejas, roubando chaves de sacrários ou de arquivos. D. Vital publica uma "Carta Pastoral contra as ciladas da Maçonaria". Nela, além de historiar as atividades perniciosas da organização, assinala que não há diferença entre a maçonaria no Brasil e na Europa, que todas obedecem aos mesmos planos. Proíbe a leitura do jornal "A Verdade" e excomunga os maçons que não abjurarem.
Enquanto isso, também o bispo de Belém do Pará, D. Antônio Macedo Costa, combate a maçonaria. As notícias a respeito, chegando ao Rio, provocaram enorme abalo. O Governo reuniu-se, ao saber que irmandades haviam sido interditadas e também por causa da Carta Pastoral. O próprio Governo, isto é, certamente o seu Chefe, Visconde do Rio Branco, e seus ajudantes maçons, mandaram dizer às irmandades que deviam apelar para o Governo Central com um, então vigente, "recurso à Coroa", apesar de a lei brasileira de então dizer que em causas estritamente religiosas os bispos estavam submetidos ao Papa e só ao Papa podiam ser apresentados recursos contra suas decisões. Não obstante, uma das irmandades interditadas apresentou o recurso ao governo. O próprio Imperador D. Pedro II, cuja mentalidade era liberal, não gostou da atitude do bispo que, em carta a um Conselheiro de Estado, apontou a ilegalidade do recurso à Coroa e declarou com simplicidade que havia cumprido seu dever de bispo e só estava submetido ao Papa em matéria religiosa. Os historiadores acham que, sem apoio do Imperador, o Visconde do Rio Branco teria recuado. Mas, com esse apoio, foi em frente. Antes de publicar sua Carta Pastoral, Dom Vital havia escrito ao Papa indagando o que devia fazer diante da situação que descrevia. O Papa respondeu-lhe com um "Breve" datado de 29 de maio, aprovando os atos de D. Vital e dando-lhe amplas faculdades para enfrentar a situação. Diante do "recurso à Coroa" da Irmandade, o Governo mandou a D. Vital um aviso com ordem de levantar o interdito sob pena de ser processado. O bispo responde com toda a calma e, depois de apresentar suas homenagens ao Imperador e seu respeito pelo Governo, acrescenta que se deve obedecer antes a Deus que aos homens e que recebia, no mesmo dia, do Governo, o aviso para suspender o interdito, e, do Papa, seu Breve aprovando seus atos. Assim, como bispo, não podia atender ao aviso. Isso, explicou, não era desobediência, mas dever de consciência. Em seguida o bispo suspendeu de ordens o Deão do cabido da diocese que era maçom e se recusava a deixar a maçonaria. Os maçons então fizeram uma manifestação pública de apoio ao Deão. Depois saíram para invadir, depredar e saquear a capela do Colégio dos Jesuítas, que estava cheia de fiéis que comemoravam o mês de Maio. Quebraram o púlpito, os confessionários, os quadros, imagens, espancando os fiéis, roubando objetos de valor. Empastelaram em seguida os jornais católicos, "O Católico" e "A União" agredindo os empregados. Agrediram os jesuítas, alguns dos quais foram apunhalados e um dos quais morreu mais tarde. Depois arrombaram o Colégio Santa Dorotéia e em seguida foram para o palácio do Bispo. O Bispo, avisado, mandou iluminar todo o palácio e se apresentou diante da quadrilha que estava no portão. Eles não ousaram invadir o palácio e acabaram se retirando. Só então chegou a polícia. D. Vital publicou um Breve, "Quamquam dolores" comunicando aos demais bispos do Brasil o que ocorria e recebendo deles todos integral apoio, sobretudo do bispo do Rio de janeiro e do bispo de Belém do Pará. O Governo manda um aviso à Irmandade que havia feito seu recurso e declara ele, o Governo, levantado o interdito, o que é evidentemente ridículo, já que nenhum padre aceitaria isso. O Governou suspendeu o pagamento dos ordenados dos padres, que, naquele tempo, eram sustentados com recursos públicos e também dos padres professores do Seminário. Finalmente o Governo mandou processar D. Vital por desobediência e desacato. Veio a ordem de prender o bispo e mandá-lo para o Rio de Janeiro para ser julgado pelo Supremo Tribunal. Foram prendê-lo no palácio, em Recife, um Juiz, o Chefe de Polícia e um Coronel da polícia. Quando o Juiz entrou no palácio e bateu na porta do quarto do bispo, este saiu totalmente paramentado, com mitra e báculo, e assim foi preso. Mas quando chegaram à rua, os policiais viram que a multidão engrossava dando vivas ao bispo e ficaram com medo. Meteram-se num carro e levaram-no para o Arsenal de Marinha onde ficou preso à espera do navio que devia levá-lo ao Rio. Em Salvador, trocaram-no de navio para que chegasse ao Rio sem ser esperado. E no Rio foi logo encarcerado no Arsenal, embora com todo o respeito e conforto. Deve-se dizer que, em toda parte, no Recife, em Salvador, no Rio, multiplicavam-se as demonstrações de apreço, homenagem e protestos de outros bispos, do clero, do povo. Aí o Governo encarregou o embaixador do Brasil em Londres, Marquês de Penedo, de tentar obter do Papa um pronunciamento contra o bispo. O embaixador, hábil e insinuante, contou à sua maneira os fatos e conseguiu que o Secretário de Estado, Cardeal Antonelli (cujo comportamento futuro iria mostrar-se muito estranho) escrevesse com autorização do Papa uma carta a Dom Vital, "Gesta tua non laudantur", em que, embora louvando o bispo, censura-o como tendo pressa em executar, com excesso de zelo, o que o Papa havia escrito antes, e manda que ele levante o interdito para "depois" procurar eliminar os maçons das irmandades. O Barão e o Governo ficaram satisfeitíssimos com o resultado da missão e logo noticiaram o fato, mas D. Vital, perplexo, guardou a carta no bolso e escreveu ao Papa pedindo explicações, apresentando os fatos e mostrando os inconvenientes do que lhe estava ordenado, especialmente mandando dizer ao Papa (que até então não sabia) que ele, D. Vital, estava preso. E, de fato, logo veio a resposta do Papa mandando destruir a carta do Cardeal Antonelli. Enquanto isso, o Governo frustrou-se porque queria que D. Vital publicasse a carta recebida antes e este, que não era bobo, guardou-a, é claro. Afinal, veio o processo. Intimado a se defender em oito dias, o bispo respondeu apenas com esta frase: "'Jesus autem tacebat'. Assinado em minha prisão no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Frei Vital." Foi julgado em sessão solene do Supremo Tribunal, cheias as galerias. Dois Senadores católicos o defenderam, Zacarias de Góis e Cândido Mendes de Almeida (bisavô desta triste figura de mesmo nome). Mas toda a defesa foi inútil, já que a maçonaria governava. D. Vital foi condenado a 4 anos de prisão com trabalhos forçados. Há uma nota interessante: com base naquela lei que falava em "recurso à Coroa", D. Vital foi a 163a. pessoa processada, um dos dois únicos condenados e o único que cumpriu pena. Também o bispo de Belém foi condenado à pena de prisão. O bispo foi levado à Fortaleza de S. João (na Urca) onde entrou em 21 de Março de 1874 para cumprir a pena que, antes de começar, já o Imperador havia convertido em prisão simples, sem os trabalhos forçados, por instâncias da Princesa Isabel, que admirava Dom Vital. D. Macedo Costa, por sua vez, foi encarcerado na Ilha das Cobras. Enquanto cumpriam suas penas, o Governo perseguia os dirigentes católicos do Recife, encarcerando vários outros e expulsando de Pernambuco os Jesuítas. Mesmo preso, D. Vital escreveu e mandou publicar uma carta, "A Maçonaria e os Jesuítas", com 139 páginas, em que defendia a estes e atacava aquela. Na fortaleza, sucediam-se as visitas de multidões de fiéis e clero, inclusive bispos estrangeiros. Inúmeras petições ao Imperador, com milhares de assinaturas, pedindo a libertação dos bispos. A própria Princesa Isabel vai à fortaleza visitá-lo e, com a ajuda dela, D. Vital pôde chamar à fortaleza os seminaristas de Recife que já estavam prontos para ordená-los ali mesmo. O Papa começou a protestar e escreveu ao Imperador do Brasil pedindo que libertasse os bispos, sem deixar de afirmar que eles se conduziram como deviam fazê-lo. O Imperador parece que não ligou muita importância à carta do Papa, mas o Duque de Caxias propôs ao Imperador uma anistia. O Imperador hesitava. Por razões políticas, caiu o gabinete do Visconde do Rio Branco e o Duque de Caxias foi chamado para sucedê-lo. Ele aceitou com a condição de conceder anistia aos bispos. Finalmente, o Imperador teve que aceitar e, em 17 de Setembro de 1875, decreta a anistia que liberta D. Vital e os demais presos. Logo em Outubro D. Vital vai a Roma onde é recebido paternalmente e com alegria por Pio IX (o Papa, comovido, só o chamava de "Mio Caro Olinda", "Mio Caro Olinda") mas, ao visitar o Cardeal Antonelli, em seguida, foi recebido com as seguintes palavras: "Eu não havia escrito a V. Excia. mandando levantar o interdito e publicar minha carta?..." D. Macedo Soares, aliás, dá notícia de que a presença de D. Vital em Roma causara sinais de contrariedade em "certas rodas". D. Vital respondeu pedindo as instruções precisas e Antonelli as deu. No novo encontro do dia seguinte com Pio IX, D. Vital mostrou ao Papa o que o Cardeal Antonelli lhe havia dado e o assombro do Papa foi enorme. Pio IX pede um relatório a D. Vital e este lho entrega dias depois, mostrando que a carta de D. Antonelli representava desdizer os Breves anteriores. Pio IX reúne uma comissão de Cardeais e teólogos aos quais D. Vital fez uma exposição escrita e outra oral. Pelo jeito, comparecera gente hostil. A impressão que nos fica é a de que o Cardeal Antonelli, se não era maçom, era pelo menos liberal e antipatizava com D. Vital. Finalmente o Papa beija Dom Vital, manifesta-lhe apoio e publica a Encíclica "Exortae" em que condenava mais uma vez a Maçonaria e apoiava os bispos brasileiros mas, ao mesmo tempo, o Cardeal Antonelli, autorizado pelo Papa, telegrafou ao Núncio no Brasil mandando suspender os interditos das Irmandades sem a exigência de prévia eliminação dos maçons. São dessas coisas... Em todo caso, houve a reiteração da condenação dos maçons. Bem... Há que se conviver com isso, pelo menos naquele tempo... Afinal, hoje seria pior.
D. Vital visita diversos lugares e amigos em França e na Itália. Volta a Recife, onde procura recompor as instituições fechadas, especialmente o Seminário e recuperar os recursos negados pelo Governo. Afinal, consegue os recursos e reabre o Seminário. Faz visitas pastorais, mas sua saúde, sempre precária, abate-o e ele tem de voltar à Europa para tratar-se, ajudado pela Princesa Isabel. Da França escreve ao Papa, pedindo que aceitasse sua renúncia. O Papa pede-lhe que espere e se trate. No Brasil subia ao Governo um dos mais rancorosos maçons, Saldanha Marinho. Pio IX morre em fevereiro de 1878 e pouco depois morre D. Vital, aos 33 anos de idade, em Paris. Seu corpo foi enterrado na cripta dos franciscanos em Versalhes, de onde, mais tarde, foi trasladado para o Recife. Está enterrado na Basílica de N. Sra. da Penha, em Recife.
Termina um pouco melancolicamente esta bela página de nossa história católica, mas não é culpa dele, D. Vital, e nem sequer dos católicos brasileiros, o que há de melancolia nela. Exceto num ponto: falta dizer que hoje, para infinita vergonha dos católicos brasileiros, mancha a diocese de Olinda e Recife um indivíduo (será ainda bispo?), Dom Helder Câmara, exemplar bem representativo daqueles eclesiásticos brasileiros cujo vazio interior Gustavo Corção havia notado, conforme artigo que publicamos em nosso número 148-149. Estes eclesiásticos, como pretexto do que chamam "opção pelos pobres", não escondem e todos os dias, ao contrário, publicam suas afinidades e simpatias com o pior, mais grotesco e estúpido subproduto da maçonaria, que é o comunismo, intrinsecamente perverso, assim condenado explicitamente por Pio XI. Encontraram no comunismo, parece, uma terrível solução para o vazio espiritual em que viviam. Ali, na simpatia pelos agitadores e subversivos, no ativismo temporal que não tem tempo para os "moralismos" puderam, finalmente, achar sentido para suas vidas. E se isto que dizemos parece excessivo, lembro que são eles mesmos que no-lo dizem todos os dias.”

www.permanencia.org.br

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O poder financeiro está por trás da propagação da ideologia de gênero

“O primeiro a falar do assunto em termos de "revolução antropológica" foi Bento XVI, no discurso de Natal à Cúria Romana em 2012. Desde então, o nível de atenção dos homens da Igreja à ideologia do gênero e à revolução antropológica subjacente a ela aumentou na mesma proporção da expansão dessa ideologia. O papa Francisco tem repetidamente levantado a questão.
Neste dia 30 de setembro, a Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma, organiza um debate moderado por Toni Brandi, presidente da associação ProVita, sobre "Ideologia de gênero: uma revolução antropológica". Participam Filippo Savarese, da Manif Pour Tous Itália; a psiquiatra Dina Nerozzi, o padre dominicano especialista em Bioética Giorgio Maria Carbone e o economista Federico Iadicicco.
Iadicicco, membro do ProVita e coordenador do Departamento Vida e Família do partido Fratelli d’Italia, explicará as razões por trás da propaganda pró-indiferentismo sexual e contra a família, impulsionada por ambientes de poderosa influência financeira porque influencia as escolhas políticas de algumas das principais potências do mundo.
Entrevistado por Zenit, Iadicicco adiantou o que exporá no encontro.
ZENIT - O que testemunha o apoio do poder financeiro à ideologia de gênero?
Definitivamente e de forma inequívoca, o financiamento substancial que grandes multinacionais e ONGs mundiais dão periodicamente a associações LGBT: Apple, Coca-Cola, a Open Society de George Soros, a Fundação MacArthur, a Fundação Ford, a Fundação Goldman, a Fundação Rockefeller, a Kodak, a American Airlines, a Pepsi, a Nike, a Motorola, só para citar alguns. Também é suspeita a atenção especial dos organismos supranacionais à promoção da ideologia de gênero nas escolhas legislativas nacionais. Basta considerar que a Organização Mundial da Saúde arruma tempo para ditar aos países as diretrizes de educação sexual para crianças em vez de lidar com os problemas reais da saúde no mundo.
ZENIT - Mas como a ideologia de gênero e o reconhecimento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo favoreceriam essas empresas?
A involução do sistema econômico mundial produziu a concentração do capital nas mãos de pouquíssimos, que preferem a especulação financeira e a exploração de mão de obra barata em vez de investirem para aumentar a riqueza comum. Esses poucos têm uma capacidade financeira tão grande que podem determinar e influenciar as escolhas políticas. O poder político é afetado por esses potentados econômico-financeiros e já perdeu a sua autonomia de decisão. Esses poderes visam hoje a desintegração de todos os organismos intermédios, destruindo laços comunitários e relacionais para ampliar o seu poder, tornando o homem cada vez mais sozinho e incapaz de relacionamentos. Destruir a família significa tornar o homem só, torná-lo um consumidor e súdito perfeito, que consome compulsivamente para tentar preencher sua solidão e que não é mais capaz de tecer relações sociais e comunitárias que possam ser um perigo para a gigantesca indústria que nos governa. A perspectiva mais perigosa, no entanto, o verdadeiro salto para esses poderes financeiros, acontece com a prática do útero de aluguel: quando o homem não souber mais quem é a sua mãe nem o seu pai, quando forem destruídos os laços parentais e, com eles, a nossa própria identidade, então o projeto estará realizado.
Todos os países do chamado Ocidente promoveram leis contra a família: uma lei contra a "homofobia" para amordaçar quem pensa diferente, uma lei sobre a propagação da teoria de gênero nas escolas para manipular as nossas crianças, uma intervenção para simplificar os divórcios, uma lei que implanta o casamento entre pessoas do mesmo sexo e as adoções homossexuais. Uma verdadeira agenda ditada por oligarquias financeiras supranacionais para desintegrar a comunidade que fundamenta a sociedade.
ZENIT - As leis contra a homofobia são então um instrumento jurídico nas mãos desses lobbies financeiros?
Certamente há uma estratégia para silenciar quem se opõe ao reconhecimento do chamado “casamento gay” e das adoções de crianças por casais gays, acusando-os de "homofobia" e introduzindo um crime absurdo de opinião com a clara intenção de eliminar a discordância. O fato, demonstrado por pesquisas estatísticas precisas, é que não há nenhuma emergência homofóbica generalizada.
ZENIT - Na sua opinião, existe diferença entre a esquerda e a direita "institucionais" sobre estas questões ou o apoio à ideologia de gênero já é transversal?
Há uma capacidade dos poderes financeiros e dos lobbies LGBT para influenciar no mundo independentemente de filiações políticas. Mas não se pode ignorar que a esquerda do século XXI aderiu ideologicamente às instâncias do laicismo e da cultura individualista. O genderismo está para a esquerda de hoje como o marxismo esteve para a de ontem.”

http://www.zenit.org

domingo, 10 de setembro de 2017

De perversão a dom de Deus. E depois de Bergoglio?


“Diante dos últimos acontecimentos na Igreja – refiro-me ao sermão do bispo de Caicó, à correspondência do Vaticano sobre o batismo de crianças “educadas” por parceiros homossexuais e à inacreditável declaração de Bergoglio a um bispo canadense: a Igreja não precisa preocupar-se tanto com a escassez de sacerdotes porque o futuro da Igreja está mais na Bíblia do que na Eucaristia -, diante de fatos de uma gravidade assombrosa, creio que não há católico que não se pergunte em seu íntimo que será da Igreja dentro de poucos anos.
Os chamados católicos Ecclesia Dei Adflicta depositam todas suas esperanças em purpurados da ala conservadora como um Sarah ou um Burke ou quem sabe até em um Müller (Que coisa conservará este?), na expectativa de que num próximo conclave um deles venha a ser eleito papa e possa sanar a confusão reinante na Igreja, debelar a anarquia crescente e impedir o caos. Desejam um papa Napoleão que, com energia, impeça os excessos e consolide a revolução do Vaticano II e a doure com o brilho de uma aguada liturgia de “São João XXIII”. Almejam só a Pax liturgica.
Sinceramente, não me parece que seja o melhor remédio para o letal câncer modernista que devasta a Igreja. Equivaleria a combater apenas os efeitos, seria um paliativo sem remover as causas do mal.
Neste ponto, cumpre reconhecer que Francisco I é, sim, fiel à letra e ao espírito do Vaticano II. É preciso também reconhecer que a melhor interpretação do Vaticano II, no que diz respeito à ética sexual e familiar, é a que, em linguagem muito simples e acessível a todos, expôs o cardeal Carlo Maria Martini SJ em seu livro Diálogos noturnos em Jerusalém (Paulus, 2012), obra importantíssima para entender bem todo o pontificado de Francisco I.
Com efeito, diz o cardeal Martini: “Os moralistas falavam do fim primário da sexualidade. Também aqui o Concílio Vaticano II abriu um horizonte mais amplo, reconhecendo conscientemente a mesma importância no companheirismo e no amor mútuo dos esposos.” (o. c. p. 124) Em seguida, o cardeal tem o mérito de tirar as últimas consequências desta ruptura do Vaticano II com todo o magistério tradicional da Igreja, dizendo que cobra da Igreja uma atitude de reserva e discrição em relação ao tema da homossexualidade. E fazendo uma exegese das passagens bíblicas sobre a questão, diz que as palavras fortes da Sagrada Escritura contra a homossexualidade na verdade constituem apenas uma condenação de uma prática muito comum na antiguidade quando homens tinham, para seu prazer, jovens e amantes masculinos, ao lado da sua família. (Ibidem). E encerra o assunto dizendo que, diante de uma pluralidade de posturas das diversas religiões e confissões cristãs sobre a homossexualidade, a Igreja precisa encontrar seu caminho e ser mais sensível, tratando do assunto “com ternura” e sem medo.
De maneira que, se os católicos neoconservadores hoje estão perplexos com a nova orientação impressa por Francisco à caminhada da Igreja em nossos dias, deveriam reconhecer que houve um grande equívoco ao longo pontificado de João Paulo II em querer impedir que o Vaticano II produzisse todos os seus frutos amargos no campo da fé e da moral. Realmente, pensar que uma declaração Dominus Iesus, sobre a Igreja e o ecumenismo, ou as diversas instruções sobre ética sexual e familiar fossem suficientes para a preservação da fé e da moral e, ao mesmo tempo, promover um moderno panteão nos vários congressos de Assis, ou ainda defender o uso de preservativos pelos prostitutos como um mal menor, como o fez Bento XVI, pensar assim é uma ilusão.
O correto, o justo, teria sido reconhecer humildemente que D. Lefèbvre e D. Mayer tinham razão em suas críticas ao Vaticano II e ter a clarividência de desarmar a bombas de tempo contidas nos vários documentos conciliares, bombas que mais cedo ou mais tarde haveriam de explodir. Pensar que uma teologia baseada em um tomismo aberto e em diálogo com as diversas correntes de pensamento contemporâneo, tal como se ensina nas faculdades e seminários “conservadores”, uma teologia à de Lubac, Danielou, Congar bastasse para conter o avanço do modernismo é um erro grosseiro.
A história do mundo moderno mostra que o “centro”, aliado à “esquerda”, sempre saiu perdendo, mais cedo ou mais tarde. Durante o longo pontificado de João Paulo II houve a nomeação só de um D. Pestana, inimigo declarado da teologia da libertação, ao passo que foram criados inúmeros bispos e cardeais que hoje aplaudem Francisco. De modo que nós “da direita”, em certo sentido, podemos alegrar-nos com a vitória dos modernistas radicais. João Paulo II disse a D. Helder: “Pai dos pobres e meu irmão”, mas consta que zombou de D. Lefèbvre quando leu o primeiro manifesto episcopal de 1983.
Hoje, o desastre é impossível de ser reparado. O fato é que o papa Francisco goza de uma popularidade enorme dentro da Igreja e no mundo. Ele tem feito e continuará a fazer o que a imensa maioria dos católicos que frequentam as paróquias querem e almejam. Quantas meninas “acólitas” e leitoras não sonham em fazer batizados? Quantas ministras da Eucaristia e freiras não sonham ser diaconisas e oficiar casamentos e proferir uma homilia durante as celebrações? Aliás isso já é realidade em muitos lugares. Já se pode lobrigar que, dentro de alguns anos, as crianças educadas por pares “homoafetivos” e hoje batizadas nas paróquias de inúmeras dioceses vão defender o “casamento homossexual” canônico.
Realmente, se é verdade que o conclave que elegeu o cardeal Bergoglio foi influenciado pela oligarquia mundialista representada pelos Clintons e Soros das altas esferas do poder oculto global, só podemos esperar que tal grupo de poder que se assenhoreou do Vaticano não o desocupe enquanto não realizar todos os seus objetivos.
Na história da Igreja lemos que o desastroso papa Bento IX (1033-1048), uma calamidade, um castigo permitido por Deus a sua Igreja, renunciou ao papado quando o arcipreste João Graciano, mestre do futuro grande papa São Gregório VII, valendo-se de um recurso extremo, lhe ofereceu vultosa soma. E o historiador Pe. Rivaux observa que Bento IX e outros pontífices semelhantes, que fizeram um grande mal à Igreja, foram impostos à Igreja por intrigas do mundo e cita um autor célebre: “Por conseguinte, se houve maus papas, foi o mundo, e não a Igreja, que os fez” (Cf. Tratado de História Eclesiástica, Rivaux, v. 1, p. 585, Editora Pinus. 2011, Brasília).
Costuma-se dizer, e com razão, que hoje vivemos a Paixão da Igreja. Pio XII já dizia “alonga-se o sábado santo da Igreja”. A situação, desde então, só se agravou e ninguém sabe como e quando terminará a paixão do Corpo Místico de Cristo. Quando Nosso Senhor predisse pela primeira vez sua paixão, São Pedro disse a Jesus: “Longe de ti, Senhor, essa idéia; não te há de acontecer isso”. Na segunda e na terceira predições da paixão, os evangelistas dizem que os discípulos não entendiam nada. Creio que se pode dizer que só não entendiam o mistério da ressurreição, pois São Pedro tinha entendido bem que Nosso Senhor anunciara um grande sofrimento iminente.
Pois bem. Hoje devemos estar conscientes do drama da Igreja. Devemos orar e reparar tanta injúria e tanta traição feitas à Igreja que é nossa mãe e mestra. Devemos sofrer e não buscar paliativos para um mal que não podemos eliminar. Devemos estar preparados para o pior. Mas não podemos perder a esperança e a confiança: “Ad nos, triunfans, éxsules, Regina, verte lumina, caeli ut beátam pátriam, te, consequámur, áuspice.” (Hino das primeiras vésperas da Assunção).
Que a Rainha das Vitórias nos auxilie na luta para chegarmos à Igreja triunfante do céu.”

http://santamariadasvitorias.org

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

As grandes epidemias da história


“Em virtude das condições sanitárias das cidades e do desconhecimento da etiologia das doenças infecciosas, grandes epidemias assolaram as Nações no passado, dizimando suas populações, limitando o crescimento demográfico, e mudando, muitas vezes, o curso da história.
Tais epidemias foram genericamente rotuladas de peste, embora muitas delas não tenham sido causadas pelo bacilo da peste (Yersinia pestis) e fossem, provavelmente, epidemias de varíola, tifo exantemático, cólera, malária ou febre tifóide.
Possivelmente a primeira notícia sobre a peste bubônica seja a narrativa que se encontra na Bíblia sobre a praga que acometeu os filisteus. Estes tomaram dos hebreus a arca do Senhor e foram castigados. "A mão do Senhor veio contra aquela cidade, com uma grande vexação; pois feriu aos homens daquela cidade, desde o pequeno até ao grande e tinham hemorróidas nas partes secretas" (Samuel 1:6.9). Decidiram, então, devolver a arca, com a oferta de 5 ratos de ouro e 5 hemorróidas de ouro. "Fazei, pois, umas imagens das vossas hemorróidas e as imagens dos vossos ratos, que andam destruindo a terra, e dai glória ao Deus de Israel" (Samuel 1:6.5). E os hebreus também foram vitimados pela peste após receberem a arca de volta. "E feriu o Senhor os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor, até ferir do povo cinqüenta mil e setenta homens; então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera grande estrago entre o povo (Samuel 1:6.19).
É digno de nota o fato de que os povos daquela época já haviam estabelecido ligação entre os ratos e a peste; do contrário, a oferta de expiação não seria constituída de hemorróidas (bubões) e de ratos. Aliás, esta ligação já havia sido referida em textos antigos da medicina hindu (Susruta, 1000 d.C.)
A palavra Epholim do texto original hebraico tem o sentido de inchação, tumefação, e poderia referir-se a gânglios enfartados (bubões na região inguinal) e não a uma afecção benigna como as hemorróidas. Os gânglios inflamados ou bubões, que caracterizam a peste é que lhe valeram o nome de peste bubônica.
Em edições mais recentes da Bíblia, os seus organizadores tiveram o bom senso de trocar "hemorróidas" por "tumores" (A Bíblia Sangrada. Trad. de João Ferreira de Almeida, 4a. edição, revista e atualizada no Brasil. Milwaukee, Spanish Publications, Inc., 1993, p. 302-3).
As maiores epidemias registradas pelos historiadores foram a peste de Atenas, a peste de Siracusa, a peste Antonina, a peste do século III, a peste Justiniana e a Peste Negra do século XIV. No interregno entre as citadas epidemias, outras de menor vulto foram registradas.
Peste de Atenas
A peste de Atenas ocorreu em 428 a.C. e foi narrada por Tucídides, em seu livro "A guerra do Peloponeso". O relato que deixou da epidemia é tão rico de informações que merece ser conhecido no texto original. Vejamos algumas passagens:
[...] "No começo do verão, os peloponesos e seus aliados invadiram o território da Ática. Firmaram seu campo e dominaram o país. Poucos dias depois, sobreveio aos atenienses uma terrível epidemia, a qual atacou primeiro a cidade de Lemos e outros lugares. Jamais se vira em parte alguma açoite semelhante e vítimas tão numerosas; os médicos nada podiam fazer, pois de princípio desconheciam a natureza da enfermidade e além disso foram os primeiros a ter contato com os doentes e morreram em primeiro lugar. A ciência humana mostrou-se incapaz; em vão se elevavam orações nos templos e se dirigiam preces aos oráculos. Finalmente, tudo foi renunciado ante a força da epidemia.
[...] Em geral, o indivíduo no gozo de perfeita saúde via-se subitamente presa dos seguintes sintomas: sentia em primeiro lugar violenta dor de cabeça; os olhos ficavam vermelhos e inflamados; a língua e a faringe assumiam aspecto sanguinolento; a respiração tornava-se irregular e o hálito fétido. Seguiam-se espirros e rouquidão. Pouco depois a dor se localizava no peito, acompanhada de tosse violenta; quando atingia o estômago, provocava náuseas e vômitos com regurgitação de bile. Quase todos os doentes eram acometidos por crises de soluços e convulsões de intensidade variável de um caso a outro. A pele não se mostrava muito quente ao tato nem também lívida, mas avermelhada e cheia de erupções com o formato de pequenas empolas (pústulas) e feridas. O calor intenso era tão pronunciado que o contato da roupa se tornava intolerável. Os doentes ficavam despidos e somente desejavam atirar-se na água fria, o que muitos faziam...". "A maior parte morria ao cabo de 7 a 9 dias consumida pelo fogo interior. Nos que ultrapassavam aquele termo, o mal descia aos intestinos, provocando ulcerações acompanhadas de diarréia rebelde que os levava à morte por debilidade.
[...] A enfermidade desconhecida castigava com tal violência que desconcertava a natureza humana. Os pássaros e os animais carnívoros não tocavam nos cadáveres apesar da infinidade deles que ficavam insepultos. Se algum os tocava caía morto.
[...] Nenhum temperamento, robusto ou débil, resistiu à enfermidade. Todos adoeciam, qualquer que fosse o regime adotado. O mais grave era o desespero que se apossava da pessoa ao sentir-se atacado: imediatamente perdia a esperança e, em lugar de resistir, entregava-se inteiramente. Contaminavam-se mutuamente e morriam como rebanhos.
As conseqüências da peste foram desastrosas para Atenas. Uma das vítimas da epidemia foi Péricles, o grande estadista, sob cujo governo a civilização grega atingiu o seu apogeu.
Muito se tem discutido sobre a verdadeira natureza desta epidemia de Atenas. A doença que mais se aproxima do quadro clínico descrito por Tucídides é o tifo exantemático; todavia, investigações recentes, utilizando técnicas avançadas de biologia molecular, sugerem tratar-se de febre tifóide. Papagrigoraks e col., em 2006, examinando a polpa dentária de esqueletos exumados de um antigo cemitério de Atenas da época da epidemia, detectaram, pela técnica de amplificação do DNA, a sequência genômica da Salmonella enterica serovar typhi, tendo sido negativas as pesquisas para os agentes da peste, tifo, antraz, tuberculose, varíola bovina e bartonelose.
Peste de Siracusa
Ocorreu no ano 396 a.C, quando o exército cartaginês sitiou Siracusa, na Itália. A doença surgiu entre os soldados, espalhando-se rapidamente entre eles e dizimou o exército. Manifestava-se inicialmente com sintomas respiratórios, febre, tumefação do pescoço, dores nas costas. A seguir sobrevinham disenteria e erupção pustulosa em toda a superfície do corpo e, por vezes, delírio. Os soldados morriam ao fim do quarto ao sexto dia, com sofrimentos atrozes. O Império Romano foi o grande beneficiário dessa epidemia, vencendo facilmente os invasores.
Peste Antonina
Assim chamada por ter surgido no século II d.C, quando dirigia o Império Romano o Imperador Marco Aurélio, da linhagem dos antoninos. Causou grande devastação à cidade de Roma em 166 d..C., estendeu-se a toda a Itália e, após um declínio temporário, recrudesceu rm 189 d.C.
Foi contemporânea de Galeno, quem assim descreveu os sintomas apresentados pelos doentes: "Ardor inflamatório nos olhos; vermelhidão sui generis da cavidade bucal e da língua; aversão pelos alimentos; sede inextinguível; temperatura exterior normal, contrastando com a sensação de abrasamento interior; pele avermelhada e úmida; tosse violenta e rouquidão; sinais de flegmásia laringobrônquica; fetidez do hálito; erupção geral de pústulas, seguida de ulcerações; inflamação da mucosa intestinal; vômitos de matérias biliosas; diarréia da mesma natureza, esgotando as forças; gangrenas parciais e separação espontânea dos órgãos mortificados; perturbações variadas das faculdades intelectuais; delírio tranqüilo ou furioso e término funesto do sétimo ao nono dia". Vê-se que há certa semelhança do quadro clínico com o da peste de Atenas. Uma das vítimas da peste Antonina foi o próprio Imperador, Marco Aurélio.
A peste do século III
Oriunda do Egito, rapidamente se espalhou à Grécia, norte da África e Itália nos anos de 251 a 266. d.C., devastando o Império Romano. São Cipriano, bispo de Cartago, deixou a seguinte descrição da doença: "Iniciava-se por um fluxo de ventre que esgotava as forças. Os doentes queixavam-se de intolerável calor interno. Logo se declarava angina dolorosa; vômitos se acompanhavam de dores nas entranhas; os olhos injetados de sangue. Em muitos doentes, os pés ou outras partes atingidas pela gangrena, destacavam-se espontaneamente. Alquebrados, os infelizes eram tomados de um estado de fraqueza que lhes tornava a marcha vacilante. Uns perdiam a audição, e outros a visão. Em Roma e em certas cidades da Grécia, morriam até 5.000 pessoas por dia".
Peste justiniana
A peste justiniana foi assim chamada por ter-se iniciado no Império bizantino, ao tempo do Imperador Justiniano, no ano de 542 d.C. Espalhou-se pelos países asiáticos e europeus, porém não teve a importância da grande epidemia do século XIV. Ao atingir Constantinopla, capital do Império (hoje Istambul), no ano de 542, chegou a causar cerca de 10.000 mortes por dia. O pouco que se sabe sobre esta peste se deve ao relato de Procopius, um arquivista do Império. Assim descreve os principais sintomas: "Subitamente os doentes apresentam febre ligeira; passado um dia ou mais surge um bubão em ambas as regiões, inguinal e axilar, ou em outra parate do corpo...a partir daí há diferenças individuais; alguns entram em coma, outros em delírio...Alguns morrem logo, outros depois de muitos dias; e os corpos de alguns mostram bolhas negras do tamanho de uma lentilha... e muitos morrem vomitando sangue..." Este relato de Procopius sugere tratar-se de epidemia causada pelo bacilo Yersinia pestis.
Peste negra do século XIV
Esta foi a maior, a mais trágica epidemia que a História registra, tendo produzido um morticínio sem paralelo. Foi chamada peste negra pelas manchas escuras que apareciam na pele dos enfermos. Como em outras epidemias, teve início na Ásia Central, espalhando-se por via terrestre e marítima em todas as direções. Em 1334 causou 5.000.000 de mortes na Mongólia e no norte da China. Houve grande mortandade na Mesopotâmia e na Síria, cujas estradas ficaram juncadas de cadáveres dos que fugiam das cidades. No Cairo os mortos eram atirados em valas comuns e em Alexandria os cadáveres ficaram insepultos. Calcula-se em 24 milhões o número de mortos nos países do Oriente.
Em 1347 a epidemia alcançou a Criméia, o arquipélago grego e a Sicília. Em 1348 embarcações genovesas procedentes da Criméia aportaram em Marselha, no sul da França, ali disseminando a doença. Em um ano, a maior parte da população de Marselha foi dizimada pela peste.
Em 1348 a peste chegou ao centro e ao norte da Itália e dali se estendeu a toda a Europa. Em sua caminhada devastadora, semeou a desolação e a morte nos campos e nas cidades. Povoados inteiros se transformaram em cemitérios.Calcula-se que a Europa tenha perdido. pelo menos. um terço de sua população.
Esta epidemia inspirou o livro DECAMERÃO, de Giovanni Bocaccio, que viveu de 1313 a 1375. As cenas que descreve no prólogo do livro se passam na cidade de Florença, na Itália. Eis alguns trechos:
"A peste, atirada sobre os homens por justa cólera divina e para nossa exemplificação, tivera início nas regiões orientais. Incansável, fora de um lugar para outro, e estendera-se de forma miserável para o Ocidente. [...] Nenhuma prevenção foi válida, nem valeu a pena qualquer providência dos homens".
Assim descreve Bocaccio os sintomas:
"Apareciam, no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou nas axilas, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs, outras como um ovo; cresciam umas mais, outras menos; chamava-as o povo de bubões. Em seguida o aspecto da doença começou a alterar-se; começou a colocar manchas de cor negra ou lívidas nos enfermos. Tais manchas estavam nos braços, nas coxas e em outros lugares do corpo. Em algumas pessoas as manchas apareciam grandes e esparsas; em outras eram pequenas e abundantes. E, do mesmo modo como, a princípio, o bubão fora e ainda era indício inevitável de morte, também as manchas passaram a ser mortais".
Retrata, a seguir, a situação de caos que se instalou na cidade:
Entre tanta aflição e tanta miséria de nossa cidade, a autoridade das leis, quer divinas quer humanas desmoronara e dissolvera-se. Ministros e executores das leis, tanto quanto outros homens, todos estavam mortos, ou doentes, ou haviam perdido os seus familiares e assim não podiam exercer nenhuma função. Em conseqüência de tal situação permitia-se a todos fazer aquilo que melhor lhes aprouvesse.
Uma das maiores dificuldades era dar sepultura aos mortos:
"Para dar sepultura a grande quantidade de corpos já não era suficiente a terra sagrada junto às Igrejas; por isso passaram-se a edificar Igrejas nos cemitérios; punham-se nessas Igrejas, às centenas, os cadáveres que iam chegando; e eles eram empilhados como as mercadorias nos navios".
Em Avignon, na França, vivia Guy de Chauliac, o mais famoso cirurgião dessa época, médico do Papa Clemente VI. Chauliac sobreviveu à peste e deixou o seguinte relato:
"A grande mortandade teve início em Avignon em janeiro de 1348. A epidemia se apresentou de duas maneiras. Nos primeiros dois meses manifestava-se com febre e expectoração sanguinolenta e os doentes morriam em 3 dias; decorrido esse tempo manifestou-se com febre contínua e inchação nas axilas e nas virilhas e os doentes morriam em 5 dias. Era tão contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra; o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade desaparecera por completo". E continua: "Não se sabia qual a causa desta grande mortandade. Em alguns lugares pensava-se que os judeus haviam envenenado o mundo e por isso os mataram".
Durante a epidemia, o povo, desesperado, procurava uma explicação para a calamidade. Para alguns tratava-se de castigo divino, punição dos pecados, aproximação do Apocalipse. Para outros, os culpados seriam os judeus, os quais foram perseguidos e trucidados. Somente em Borgonha, na França, foram mortos cerca de 50.000 deles.
Atribuía-se, também, a disseminação da peste a pessoas que estariam contaminando as portas, bancos, paredes, com ungüento pestífero. Muitos suspeitos foram queimados vivos ou enforcados. Em Koenisberg, na Alemanha, uma criada que havia transmitido a peste a seus patrões foi enforcada depois de morta e a seguir queimada. Na Itália, o conde que governava a Calábria decretou que todo pestoso fosse conduzido ao campo para ali morrer ou sarar, e ainda confiscou os bens dos que haviam adquirido a peste.
No meio de tanto desespero e irracionalidade, houve alguns episódios edificantes. Muitos médicos se dispuseram a atender os pestosos com risco da própria vida.. Adotavam para isso roupas e máscaras especiais. Alguns dentre eles evitavam aproximar-se dos enfermos. Prescreviam à distância e lancetavam os bubões com facas de até 1,80 m de comprimento. Frades capuchinhos e jesuítas cuidaram dos pestosos em Marselha, correndo todos os riscos. Foi fundada a Confraria dos Loucos, que invocava a proteção de São Sebastião para combater o medo da morte. São Roque foi escolhido o padroeiro dos pestosos. Tratava-se de um jovem que havia adquirido a peste em Roma e havia se retirado para um bosque para morrer. Foi alimentado por um cão, que lhe levava pedaços de pão e conseguiu recuperar-se.
As conseqüências sociais, demográficas, econômicas, culturais e religiosas dessa grande calamidade que se abateu sobre os povos da Ásia e da Europa, foram imensas. As cidades e os campos ficaram despovoados; famílias inteiras se extinguiram; casas e propriedades rurais ficaram vazias e abandonadas, sem herdeiros legais; a produção agrícola e industrial reduziu-se enormemente; houve escassez de alimentos e de bens de consumo; a nobreza se empobreceu; reduziram-se os efetivos militares e houve ascensão da burguesia que explorava o comércio. O poder da Igreja se enfraqueceu com a redução numérica do clero e houve sensíveis mudanças nos costumes e no comportamento das pessoas.
A peste negra foi a maior, mas não a última das epidemias. A doença perseverou sob a forma endêmica por muitos anos e outras epidemias menores, localizadas, foram registradas nos séculos seguintes. Citam-se como surtos mais importantes a peste de Milão, Brescia e Veneza no século XVI; a peste de Nápoles, em 1656; a peste de Londres em 1655 (setenta mil mortes); a de Viena em 1713, e a de Marselha em 1720, que matou metade de sua população.
Entre 1894 e 1912 houve uma outra pandemia que teve início na India que se estendeu à China (10 milhões de mortes). de onde trasladou-se para a costa do Pacífico, nos Estados Unidos. No Brasil, a peste entrou pelo porto de Santos em 1899 e propagou-se a outras cidades litorâneas. A partir de 1906 foi banida dos centros urbanos, persistindo como enzootia em pequenos focos endêmicos residuais na zona rural.
O terrível flagelo da peste inspirou a imaginação criativa de pintores famosos. Os quadros mais notáveis são: A peste em Atenas, do pintor belga Michael Sweerts (1624-1664), A peste em Nápoles, de Domenico Gargiulo (1612-1679), O triunfo da morte, do pintor belga Peter Breugel (1510-1569), e São Roque, de Bartolomeo Mantegna (1450-1523). Inspirou igualmente Albert Camus, prêmio Nobel de literatura, a escrever uma de suas obras mais conhecidas: "A peste".
No Novo Continente as mais importantes epidemias foram as de varíola, trazidas pelos colonizadores espanhóis e portugueses, que dizimaram as populações indígenas, e a de febre amarela, que atingiu os membros da expedição de Cristóvão Colombo e se espalhou para outros países do continente, inclusive o Brasil. Finalmente cabe mencionar a pandemia de gripe, chamada gripe espanhola, oriunda da Europa, em 1918, após a Primeira Guerra Mundial, com cerca de 20 milhões de vítimas."
(Joffre Marcondes de Rezende, À Sombra do Plátano: Crônicas de História da Medicina)

domingo, 3 de setembro de 2017

Pe. Leonel Franca sobre o divórcio


“Ao lado do aspecto jurídico e social, o divórcio apresenta inquestionavelmente um aspecto religioso. Jurídica e socialmente, a possibilidade de ruptura do matrimônio é um mal, um grande mal. É o princípio de instabilidade e dissolução progressiva da família, que, de dia para dia, se vai tornando menos idônea ao exercício de sua elevada missão criadora e educadora da sociedade. A lei que sanciona a fixidez definitiva da vida conjugal não faz senão declarar um dos artigos da constituição natural da família e proteger contra a força corrosiva das paixões, a integridade perfeita da célula social.
É o que parecem esquecer os divorcistas que reclamam a reforma do nosso direito de família como corolário da separação entre a Igreja e o Estado. Como se a indissolubilidade fosse uma simples prescrição de direito positivo eclesiástico, sem nenhuma relação com as finalidades imanentes, naturais da sociedade conjugal e com as exigências superiores do bem comum! Cristo, proscrevendo o divórcio, não deu um preceito novo; reintegrou a família na sua dignidade primitiva: ab initio non fuit sic. É, portanto, a própria natureza das instituições conjugais, são os interesses superiores da sociedade, a verdadeira e comum base jurídica das leis que impõem a monogamia indissolúvel, indiscriminadamente, a todos os cidadãos. Para os católicos, respeitá-las é um duplo dever: de consciência religiosa e de consciência civil. Os acatólicos não terão nas próprias idéias religiosas um estímulo e uma força para os ajudar no desempenho deste dever social. Mas, nem por isso, deixa o dever de subsistir. Também o furto, o homicídio, o adultério, são, para a consciência cristã, proibições de ordem religiosa. Seguir-se-á, porventura, que um Estado leigo não os possa e deva interdizer, em nome do bem coletivo, a todos os cidadãos, ainda aos que já não vêem no Decálogo a expressão dos mandamentos divinos? Se ainda uma vez, aqui como lá, a doutrina e a moral católica coincidem com os verdadeiros e mais elevados interesses da sociedade, saudemos nesta coincidência mais um penhor de sua verdade inexaurivelmente fecunda.
Foi sob este aspecto puramente jurídico e social que até aqui viemos considerando o divórcio. Ao combatê-lo, não nos socorremos senão de provas racionais, tiradas à moral, à psicologia, à sociologia e ao direito. Para admiti-las não é mister crer, basta raciocinar; elas não se dirigem ao cristão, falam a todo homem. Não lançamos mão, uma só vez, de argumentos teológicos e exegéticos. A Escritura, a voz dos Padres da Igreja, a autoridade dos concílios, muito de caso pensado, não os invocamos no debate. Discutimos, sempre, em nome da razão e dos fatos, a fim de que as nossas conclusões se impusessem à universalidade dos leitores. Mas o divórcio apresenta outrossim um aspecto religioso. Para toda a humanidade a constituição de um novo lar foi sempre um ato sagrado. Para a grande maioria da cristandade constitui um sacramento. É tão nobre a missão da família, são tão íntimos os deveres domésticos que só na religião se podem atingir as energias profundas, indispensáveis à fidelidade do seu desempenho.
A santidade da família, só a inteligências superficiais, poderá soar como uma frase feita e vazia. As famílias na medida que se vão laicizando vão cessando de ser famílias. Lar sem Deus é frágil construção de que a primeira rajada de paixões violentas fará um montão de ruínas.
Nos países católicos, mais ainda que nos outros, é funesta a legalização do divórcio. Entre protestantes e cismáticos a deformação da moral foi precedida por uma alteração da doutrina. A cisão do vínculo não contrasta com a consciência religiosa do povo. Os divorciados poderão ainda beneficiar dos auxílios espirituais que lhes pode subministrar um cristianismo diluído pela heresia ou pela cisma. A família não será uma vítima infeliz da irreligião.
O catolicismo conserva, em toda a sua integridade, o tesouro divino dos ensinamentos morais do Evangelho. Com a sua consciência é incompatível o divórcio.
Sancioná-lo por lei num país de maioria católica é introduzir um antagonismo, denso de males incalculáveis, entre a consciência religiosa e a consciência jurídica e civil da nação. Para os cidadãos fiéis ao seu credo, a lei, que permite um ato imoral, é uma lei sem prestígio e a desconsideração da lei é princípio de desorganização social. Para os outros, de convicções religiosas menos esclarecidas ou de vida espiritual remissa, a lei civil transforma-se num fermente ativo de irreligião. O divórcio pedido e aceito por um filho da Igreja segrega-o da participação aos sacramentos que nutrem a sua atividade religiosa e moral. Casal de divorciados católicos é casal para o qual estancaram as fontes de energias espirituais, indispensáveis à paz de consciência e à prática do bem (Se um católico num momento de paixão (os católicos não são impecáveis) dissolve a família para constituir outra, a lei sancionaria a segunda união como legítima e lhe imporia todos os deveres respectivos. Amanhã, serenados os estos apaixonados, a voz de Deus no fundo d’alma entra a falar-lhe mais alto que os gritos do amor humano; a consciência cristã acaba por triunfar no desejo sincero de voltar à paz interior. Os deveres que, nesta emergência, se lhe impõem em nome da religião estão em antagonismo com as obrigações civis. Ele não poderá ser católico sem menosprezar as leis do seu país; não poderá ser fiel aos empenhos civis sem sacrificar as exigências superiores de sua consciência religiosa. Situação infinitamente angustiosa, fonte de amarguras internas indescritíveis, que, num país católico, multiplicaria uma lei insensata em contraste com a liberdade de consciência da maioria dos cidadãos). Destarte a lei do divórcio, num país tradicionalmente católico, tende a difundir a indiferença religiosa e a subtrair à família estes fundamentos espirituais que, em todos os tempos e entre todos os povos, condicionaram a sua estabilidade e conservação. Com o mecanismo frio dos códigos, o Estado é incapaz de gerar as grandes energias da vida moral, mas ai dele, se pela imprudência de leis corruptoras, vai secar os mananciais misteriosos onde se alimenta o espírito de sacrifício, dedicação, fidelidade e desinteresse, que conservam a vitalidade do organismo social!
Eis porque, na realidade, o divórcio é um instrumento de propaganda irreligiosa nas mãos da impiedade. A lei que dissolve os lares é um dos pontos do programa do sectarismo anti-católico. Para combater a Igreja e popularizar a irreligião, o anti-clericalismo atira-se à família.”
(Pe. Leonel Franca, S.J, O Divórcio)

http://escravasdemaria.blogspot.com.br

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Naturalismo condenável


“‘Sou um homem. Sustento-me. Tenho uma mente e uma vontade, e um senso de dever. Posso levar uma vida decente, mesmo nobre, no nível natural, muito acima do simples materialismo. Agora vem você, como católico, e me fala de uma vida sobrenatural, sobre-humana, superior à vida natural, que requer virtudes sobrenaturais para ser vivida. Você diz-me que ela é uma vida muito superior à vida natural, tornada possível por um Deus Encarnado, e que promete uma bem-aventurança inimaginável. Pois bem, tudo isso está muito bem, mas, honestamente, eu acho que a natureza humana é suficiente: nem a vida de um anjo nem a vida de uma besta. Não quero nem que o Céu venha nem as exigências que ele impõe aqui na terra. Eu dispenso esse benefício e sua carga. Contentar-me-ei com uma vida natural decente, que Deus me recompensará com um pós-morte natural decente.’
Foi assim que o Cardeal Pie (1815-1880) pôs na boca de muitos cidadãos retos e respeitáveis de meados do século XIX o grave erro do naturalismo, que estava então enviando, e tem enviado desde então, um grande número de almas para o Inferno. O naturalismo é a negação ou, como aqui, a recusa, de toda a ordem sobrenatural. A natureza é tudo, ou é tudo o que eu quero. Nada acima da natureza existe, ou se existe, eu polidamente dispenso. Leão XIII, em sua Encíclica, denunciou o naturalismo como sendo o erro essencial da Maçonaria (ver a Humanum Genus). O naturalismo é o grande erro de Hollywood, que dificilmente é percebido, porque todos nós crescemos acostumados ao mundo moderno tal como moldado pelos maçons, e um dos princípios destes é estar em toda parte, mas sem nunca ser visto. O Cardeal Pie contestou este respeitável cidadão com três argumentos:
Em primeiro lugar, Deus é o Criador e o Soberano Senhor do homem, criatura Sua. Havendo criado o homem natural que sem dúvida pertence à ordem natural (o mundo é presente de Deus ao homem). De fato, Deus permitiu que o homem entrasse na ordem sobrenatural por um ato de amor que o homem não tem direito de recusar, porque o presente e o amor são imensos. Assim, Deus faz do benefício uma obrigação, sob severa penalidade em caso de recusa do benefício e de revolta contra o amor. A nobreza de participar da própria natureza de Deus por Seu presente da graça sobrenatural constitui uma obrigação tal, que aquele que se recusa a se comportar como um filho será tratado como um escravo.
Em segundo lugar, a própria razão prova que Deus Se revelou através de Seu Filho, Jesus Cristo. Se Deus revela, eu devo ver. Pois bem, Seu Filho Encarnado revelou que recusar crer é ser condenado (Mc 16, 16). O Pai deu todo juízo ao Filho (Jo 5, 22-23). Todo joelho será dobrado ante Jesus (Fl 2, 9-11). Cada pensamento deve submeter-se a Jesus (II Cor 10, 4-6). Todas as coisas estão resumidas em Jesus (Ef 1, 10-12; Hb 2, 8). Não há outro nome sob o Céu pelo qual nós podemos ser salvos que não o de Jesus (At 4, 11-12). Santo Agostinho, sobre João 15, diz que cada um ou está ligado a Cristo como o sarmento à videira, e então sustenta o fruto, ou está separado dela, e então é lançado ao fogo. Videira ou fogo! Tu não queres o fogo? Agarra-te à videira!
Em terceiro lugar, levar uma vida natural verdadeiramente decente sem a graça sobrenatural é impossível. O homem decaído é fraco de mente e de vontade. Na prática, o Cardeal pergunta: quantos ‘cidadãos decentes e respeitáveis’ sem a graça de Deus são capazes de resistir a toda tentação? Durante o dia eles comportam-se decentemente no trabalho, mas e durante a noite...? Eles seguem o nobre Platão em público, mas em privado seguem o buscador de prazer Epicuro. ‘Admita, senhor’, adverte o Cardeal: ‘Aos olhos dos homens tu podes ter sido sempre muito correto, mas não aos teus próprios olhos, e se não há uma gota do Sangue de Cristo em tua alma, tu estás-te dirigindo para o castigo’.”
(Mons. Richard Williamson, Damnable Naturalism)

http://borboletasaoluar.blogspot.com

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O asteróide 2012 TC4 vai atingir a Terra em outubro de 2017?


"Em abril de 2015, em alguns noticiários, saiu a notícia de que um asteróide de 40 metros poderia atingir a Terra no próximo ano e novamente, neste fim de ano, a notícia, de algum modo, voltou a viralizar. Mas, quão real é esta notícia? Quais são as chances deste asteróide atingir a Terra?
Em 12 de outubro de 2017, o asteróide 2012 TC4 está programado para sibilar perigosamente perto da Terra. A distância exata da sua aproximação máxima é incerta, bem como o seu tamanho. Com base em observações em outubro de 2012, quando a rocha espacial passou próximo do nosso planeta, os astrônomos estimam que seu tamanho pode variar de 12 a 40 metros. O meteoro que explodiu sobre a cidade russa de Chelyabinsk em fevereiro de 2013, ferindo 1.500 pessoas e danificando mais de 7.000 edifícios, tinha cerca de 20 metros de largura. Assim, o impacto do 2012 TC4 poderia ser ainda mais devastador. "É algo para ficarmos de olho" disse Judit Györgyey-Ries, astrônoma do Observatório McDonald da Universidade do Texas, ao astrowatch.net. "Nós poderíamos ver janelas quebradas, talvez, dependendo de onde ele bater."
O asteróide do tamanho de uma casa foi descoberto em 04 de outubro de 2012 pelo observatório Pan-STARRS no Havaí. Uma semana mais tarde, ele deu à Terra um barbear mais rente quando passou pelo planeta a uma distância de 0,247 DL (distância lunar), ou 94.800 km. 2012 TC4 é um objeto alongado e de rotação rápida e é conhecido por fazer muitas abordagens próximas da Terra no passado. Agora, os cientistas tentam determinar o caminho exato de 2017 e a probabilidade de um eventual impacto.
"Existe uma chance cumulativa de 0,00055% de que ele vai bater", disse Györgyey-Ries. "Uma vez que a MOID [distância mínima de intersecção de órbita] é de apenas 0,079 DL, isto sinaliza um possível impacto. No entanto, esta é apenas a menor distância possível entre as órbitas".
"Há uma chance em um milhão de que ele possa nos atingir", disse Detlef Koschny, chefe do segmento de Near-Earth Object (NEO) no escritório Space Situational Awareness do programa (SSA) da ESA, ao astrowatch.net. Ele também tentou estimar o tamanho exato do corpo celeste. "O tamanho foi estimado a partir do brilho, mas não sabemos a refletividade. Assim, ele poderia ser menor ou maior, entre 10 m e 40 m. Um objeto ferroso de 40 m iria ultrapassar a atmosfera e fazer uma cratera; um objeto rochoso de 10 m dificilmente seria notado."
Makoto Yoshikawa, da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA), membro da Divisão de NEOs na União Astronômica Internacional (IAU), está convencido de que o asteróide não representa qualquer perigo para a Terra. "A distância é muito pequena. Mas esta distância não significa uma colisão", disse ele.
O NASA Asteroid Watch tem certeza de que não há chance deste asteróide bater o nosso planeta, mas Györgyey-Ries admite que mais observações sejam necessárias para mitigar as incertezas.
"Embora tenha uma grande incerteza ao longo da órbita, ela é muito menor do que a incerteza radial, por isso, apenas altera o tempo do sobrevôo mais próximo. Diria com base nisso que não há nenhuma possibilidade de impacto em 2017, mas mais observações podem ajudar a reduzir as incertezas", disse ela.
Koschny também está ciente da incerteza. A respeito do tamanho e das órbitas características do asteróide, ele indicou que "certos itens têm grandes incertezas, em particular o tamanho." Ele observou que, se o asteróide for rochoso e nos acertar, os efeitos seriam semelhantes ao impacto do Chelyabinsk.
Em abril de 2015, por exemplo, havia 1572 asteróides potencialmente perigosos (PHA) detectados. Nenhum desses PHAs conhecidos está em rota de colisão com o nosso planeta, embora os astrônomos estejam encontrando novos deles o tempo todo."

http://www.misteriosdouniverso.net

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A Fraternidade Sacerdotal São Pedro agoniza


“Quando em 2006 eu me converti ao catolicismo (ou seja, abandonei definitivamente a Igreja Conciliar do Vaticano II), um amigo “diácono permanente” do Novus Ordo quis tentar-me com a Fraternidade Sacerdotal São Pedro. Segundo ele, a “Igreja” tinha um lugar para os que “sentiam o catolicismo tradicionalista” e, se eu permanecesse nesse lugar, continuaria unido à Igreja, caso contrário, me tornaria um cismático e iria ao inferno. Naqueles dias de março do ano de 2006, pouco me importou contestar-lhe que “se o Padre Eduardo reza com os hereges protestantes, se João Paulo II beija o Corão e disse que todos podem-se salvar em qualquer falsa religião, então sou eu que irei ao inferno? E o ecumenismo?” Em vez de contestar qualquer coisa, dei-lhe um abraço e me despedi.
Em 2006 a Fraternidade São Pedro era algo que ainda parecia ter um futuro. Era outra época: Fazia pouco que Ratzinger havia sido eleito Papa na Igreja Conciliar e suas primeiras ações eram ambíguas. Chamavam-no “tradicionalista” e “conservador”, sua autobiografia (que eu havia lido ainda muito jovem) deixava perplexos muitos católicos que haviam decidido esquecer que ele era o autor da confusa “Dominus Iesus” onde ao mesmo tempo que dizia que fora da Igreja não havia salvação, indicava que aquelas “igrejas particulares” que conservaram o episcopado histórico e a eucaristia eram meios de salvação. A isso se somava todo o ímpeto da “reforma da reforma”, da “hermenêutica da continuidade”. Por toda parte apareciam pequenas congregações que aderiam ao Motu Proprio Ecclesia Dei e rezavam a Missa em Latim, aceitando o Concílio Vaticano II.
Eu, que por quase um ano havia lido tudo (quase tudo) que podia do “tradicionalismo” não vi como uma opção a Ecclesia Dei, ou os grupos tipo Fraternidade São Pedro. O problema, cheguei à conclusão, não era a Missa em si mesma, mas a fé, que a missa transmite e expressa. Por isso recordo que me surpreendeu tanto o livro de Paul Aulagnier “A causa de nosso combate: a Missa Católica”.
Recordo que com minha conversão as menções à Ecclesia Dei aumentaram. Agora o vejo em perspectiva: eram os anos que a Fraternidade Sacerdotal Pio X poderia ter consumado o acordo com Roma. Ratzinger, de novo, um tradicionalista, parecia haver sido a “mente” por trás da Ecclesia Dei.
No 18 de julho se completaram 25 anos da promulgação daquele fatídico documento. Quais foram os frutos? Se pensamos que foram frutos espirituais, deveríamos encontrar uma “Fraternidade Sacerdotal São Pedro” forte e pujante, com seus seminários transbordantes, com centenas de sacerdotes atendendo capelas e satisfazendo os fiéis que reclamam a Missa Latina. Não obstante, as coisas são diferentes: a bancarrota.
- A Fraternidade Sacerdotal São Pedro não pôde se manter, suas vocações próprias são escassas, a maioria dos jovens ordenados provêm de outras congregações aos quais se envia a estudar ali.
- A Fraternidade Sacerdotal São Pedro diminuiu seus centros de Missa, pressionados e perseguidos pelos bispos modernistas da Igreja Conciliar do Vaticano II que odeiam e desprezam a Missa Latina Indultada.
- A Fraternidade Sacerdotal São Pedro terminou reconhecendo que eles constituem unicamente um movimento ritualista e que não têm nada a ver com a preservação da Tradição Católica.
- A Fraternidade Sacerdotal São Pedro é uma “Igreja Alta”, similar à que existe no anglicanismo porque:
1. Seus sacerdotes recebem uma educação modernista, não católica.
2. Têm um conceito kantiano, subjetivo e agnóstico da fé.
3. O único objetivo de sua formação é ter um par de “sacerdotes” que saibam rezar a missa latina, que são enviados ali onde operam capelas da FSSPX, com o fim de dividir os “católicos perplexos”.
4. Celebram a missa indultada de Roncalli/João XXIII, a qual por sua vez alteraram seguindo as normas sucessivas da Igreja Conciliar, introduzindo variações como leitores laicos, comunhão na mão etc.
5.Seus “sacerdotes” não são verdadeiros sacerdotes, já que são ordenados por “bispos” inválidos da Igreja Conciliar. Por nunca terem sido estes ordenados (pela invalidez do ritual), não podem ordenar sacerdotes.
6. Os sacerdotes da FSSP ensinam e pregam o ecumenismo, a colegialidade e todos os erros da Igreja Conciliar.
Na Igreja Conciliar existem muitos grupos fariseus. Temos a Opus Dei (o principal), os Legionários de Cristo fundados pelo famoso pederasta Marcial Maciel, e também os apóstatas do Instituto Bom Pastor, o Instituto São Felipe Neri, os padres de Campos etc. Mas de todos eles a Fraternidade São Pedro é a evidência maior do intento da Igreja Conciliar do Vaticano II de ter uma pequena capela tradicionalista em sua Catedral Modernista. Com sacerdotes inválidos, que pregam uma doutrina herética, conseguiram confundir por algum tempo a muitos, mas essa confusão dificilmente pode ser mantida.
Os resultados saltam aos olhos: deserções massivas, ordenações mínimas, bispos que os expulsam e fecham suas casas, ou que simplesmente se negam a recebê-los. Faz alguns anos me inteirei que quatro seminaristas da São Pedro terminaram unindo-se ao sedevacantismo. Todos os anos, alguém migra para a Fraternidade São Pio X, escandalizado, ferido, doído.
Foi dito a esses hipócritas que eles, sendo fiéis ao “Papa” serviriam a Igreja, seriam uma elite, defenderiam a fé e ajudariam “o povo de Deus” a encontrar o verdadeiro sentido do Concílio Vaticano II. E que resultou? Um bando de confusos e reprimidos, hereges como poucos, que propagam com fúria o ódio visceral por tudo que é católico e que a cada domingo simulam celebrar uma Missa que não tem nenhum valor.”

http://sursumcordablog.blogspot.com.ar