segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O nome da rosa é politeísmo


“Não, não é um título estrambótico, mas a conclusão de um longo debate interior. O leitor recordará o comentário que dediquei nestas páginas ao romance de Umberto Eco O nome da rosa, afirmando ao final de meu comentário que o segredo do livro estava encerrado na última frase, que rezava assim: “Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus”. Que é, na realidade, todo um programa nominalista. Vamos ver, no artigo de hoje, o que é o nominalismo e que relação têm, por um lado, o romance de Umberto Eco e, por outro, a frase citada mais acima, com algumas das tendências mais ocultas e tenazes da luta filosófica e ideológica atuais e com a intenção mesma do romance do autor italiano. De nossa matizada inquisição dependerá, pois, na medida em que conseguirei levá-la como é devido a cabo, o esclarecimento de algumas idéias e de alguns ideais que tanto dano estão fazendo ao homem contemporâneo e sobretudo ao homem cristão, meta e vítima destas tendências. E pergunto-me ingenuamente: Quem tem posto de relevo até agora, no marco da crítica católica espanhola, o sentido polêmico de O nome da rosa? Ninguém, et pour cause, porque dito silêncio tem uma causa, quero dizer a colaboração entre a rosa e a coisa, por assim dizê-lo, como logo veremos. Então já não há mais teólogos em Salamanca?
A frase citada por Eco significa em português o seguinte: “Permanece a rosa original com o nome, depois, só teremos nomes”. Isto quer dizer, em um sentido nominalista, que a palavra rosa não teria nenhum sentido se as rosas, enquanto realidades, deixassem de existir. Ou seja: É possível falar de idéias gerais acima das coisas que elas representam na terra, ou só há estas coisas visíveis e palpáveis? Existem, sim, conceitos universais ou só os objetos que dão conta deles (nominais ou reais)? Se a rosa em si desaparece, também desaparece o nome da rosa. A polêmica é muito antiga e se encontra, como quase todos os problemas que agitam as filosofias, em Platão e Aristóteles, idealista o primeiro, nominalista ou realista o segundo. Desde o ponto de vista científico, isto tem também seu peso e possibilidade de definição, no mesmo sentido esboçado mais acima, já que “Nominales sunt philosophae qui scientias non de rebus universalibus, sed de rerum communibus vocabulis haberi existimant”. Não de rebus ou coisas universais, mas de rerum ou de coisas comuns que contradizem tanto o abstrato como o geral. Os universais, que apaixonam os platônicos medievais, passando por Santo Agostinho a Boécio (embora este trate de reconciliar as duas tendências e de encontrar uma justa síntese entre seus dois mestres, Platão e Aristóteles) até Abelardo, o qual, no século XII, já apresenta o tema nominalista, no nome da rosa, quero dizer contra os universais. Impressionismo e expressionismo, figurativo e abstrato, na pintura contemporânea, cospuscular e ondulatório, monoteísmo e politeísmo, continuam apresentando diante de nossos olhos o antigo e apaixonante tema medieval, e digo apaixonante porque o polemos que agitou os antigos dá conta perfeitamente da dualidade interior que nos compõe e define e que tem sido posta em nós desde os começos e esclarecida desde o ponto de vista lógico, por Platão e seu discípulo, seu irmão e inimigo ao mesmo tempo.
Umberto Eco se reconhece como nominalista não só na frase final de seu livro, como também nas considerações que estruturam pouco a pouco sua atitude, desde as primeiras páginas até as últimas. Por exemplo: "A ciência tem a ver com as proposições e os seus termos, e os termos indicam coisas singulares" (ver pág. 210 da edição italiana). Com base em sua experiência, como continua afirmando o personagem principal do romance, não há leis universais, já que se estas existissem, implicando "uma determinada ordem das coisas", isto significaria que Deus seria prisioneiro delas, quando sabemos que Deus é um ser livre e que se não fosse assim, o mundo teria outro aspecto. Bastaria dizer aqui que Deus é livre até o ponto em que criou Ele mesmo a ordem e suas leis, e que falar de um Deus prisioneiro de suas próprias leis não tem sentido. Mas não quero entrar aqui em disquisições filosóficas.
Demos um salto até nós mesmos para entrar diretamente no tema que nos preocupa e implica. O nominalismo está nos alicerces mesmos do materialismo contemporâneo, cujo pai direto foi David Hume, que nega ao homem e a sua possibilidade de conhecimento qualquer capacidade ou poder metaempírico. Abaixo a idéia, viva a impressão! Conhecemos sobre bases unicamente psicológicas, já que tomamos contato com a realidade através dos cinco sentidos. Nem sequer conceitos como tempo e espaço existem por si, mas só como impressões que se sucedem uma à outra, em um caso, e como impressões que coexistem, no outro. O tempo e o espaço não são mais que puros nomes, como o da rosa ou como o de Deus. A mesma inclinação religiosa do ser humano não brota de sua técnica racional de enfocar o mundo, e tampouco de seus a priori ou a posteriori de tipo metafísico, mas, como disse Hume, "das esperanças e temores que continuamente agitam a alma humana". O homem é, pois, naturalmente politeísta, segundo esta interpretação nominalista, baseada em uma consideração psicológica que elimina os universais e se baseia unicamente sobre o que Hume considera então como "a natureza humana".
Este inciso filosófico nos obriga a retroceder até Francis Bacon e Thomas Hobbes, fundadores, o primeiro, do método experimental, de origem aristotélica também, e, o segundo, de um nominalismo político cujo monumento espantoso tem um nome muito afastado do da rosa, mas em estreita conexão com o mesmo: Leviatã. Sob esta perspectiva, já que não existe senão o individual e concreto, separados de qualquer abstração e categoria, temos forçosamente que ter em conta as características e exigências de cada indivíduo à parte, único conteúdo do real. O ser enquanto indivíduo sai completamente do conceito de bem, por exemplo, pura invenção metafísica, puro nome. O homem concreto não é mais que um complexo de necessidades particulares e positivas, de maneira que a única coisa que interessa, neste sentido nominalista, é o prazer de dita concretude, o prazer que mais tarde encontraremos na base do freudismo e de certo socialismo dos direitos (humanos, naturalmente) que transformam o homem em um tipo de animal individual, concretamente singularizado em um destino sem meta, já que o prazer não pode constituir-se em uma finalidade. Como existem então realidades tão efetivas e tão ligadas ao homem e à abstração como são os Estados? Problema que is nominalistas não souberam resolver ou, quando o fizeram, desmascararam sua falta absoluta de realismo, o que os obrigou a transformar a sociedade e o Estado em obrigações torturadoras, como em toda utopia. A utopia de Hobbes se chama Leviatã e é o nome do Estado moderno, em cujo marco o cidadão está obrigado a assinar um contrato social e renunciar a suas liberdades em nome de uma liberdade geral, que é pura abstração antinominalista e que está na base de todo tipo de totalitarismo. Sua força é a do direito, evidentemente, mas de um direito que ele mesmo se outorga, já que resulta ser, depois da assinatura, também abstrata e antinominalista, do contrato social, o único indivíduo (o Big Brother de Orwell), o grande indivíduo cuja vontade substitui qualquer lei moral, religiosa, política, social ou jurídica. A paz e a guerra, o bem-estar e a miséria dos assinantes estão em suas mãos absolutistas. As tendências politeístas do homem psicológico, tal como Hume o enfocará através de seu mundo fenomênico (cada esperança e cada medo com seu deus, como nas sociedades primitivas) estão já previstas e resolvidas dentro da visão sensorialista e antiespiritualista de Hobbes, cuja sociedade não pode ter outro aspecto senão o do horrível Leviatã que é o nome de uma rosa contemporânea ("nomina nuda tenemus") encarnada no Estado soviético ou na sociedade politeísta, separada de toda abstração metafísica ou religiosa, e que seria o Estado do futuro, pior todavia, já que da rosa prístina não resta nem sequer o nome. Se perecem os homens, realidades concretas dos nominalistas, perecem também as sociedades. Se o homem não é liberdade, senão liberdade entregue ao Leviatã, será difícil buscar o homem na geografia desta terra, no espaço concreto de Hume. Não permanecerá nem sequer seu nome. É o gulag, onde nem a realidade concreta, o homem quantitativo, nem seu nome representam algo, senão uma matéria bruta moldada em nome da utopia. E por quem? é a pergunta que proponho a Umberto Eco. Quem serão os que, em nome do futuro Leviatã, acabarão conosco? E, naturalmente, consigo mesmos, já que, apesar do nominalismo, o homem é uma espécie, uma categoria, uma idéia, que não pode ser cortada em dois sem que desapareça tanto o objeto submetido a esta operação, como a faca, tornada inútil depois da operação que realizou.
Livro terrível o de Umberto Eco, não só anticatólico, como eu já afirmava aqui, faz algumas semanas, mas decididamente anti-humano, como todo politeísmo nominalista e leviatânico."
(Vintila Horia, El Nombre de la Rosa Es Politeismo)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O legado de Obama: fortalecimento do Irã e da Rússia


“Em 2 de dezembro, fontes da mídia da Arábia Saudita reportaram que aviões de guerra israelenses haviam voado sobre as Colinas de Golan, entrado no espaço aéreo sírio, e bombardeado uma instalação militar iraniana dentro da Síria.
A busca do Irã por domínio estratégico na região já vem de décadas. Nos últimos anos, o Irã foi ajudado por três eventos fundamentais: o caos causado pelo ISIS forneceu novas oportunidades para o intervencionismo iraniano; a incompreensível decisão da administração Obama de liberar 170 bilhões de dólares em recursos iranianos, e a interferência da administração Obama na Operação Cassandra, uma operação da inteligência americana dirigida contra o transbordo de drogas e dinheiro entre o Hezbollah e o governo comunista da Venezuela.
Tão obcecada estava a administração Obama com um “acordo” nuclear com o Irã que uma operação americana de grande escala destinada a deter a operação entre o agente terrorista do Irã e a ditadura comunista foi interrompida.
Para o Oriente Médio, o novo acordo com o Irã foi uma mudança no equilíbrio estratégico de poder em favor da busca iraniana por hegemonia. Para o resto do mundo, significou mais drogas nas ruas das cidades ocidentais e a ameaça de agentes iranianos na América Latina com passaportes venezuelanos.
Até mesmo o período de tempo para o adiamento da construção de uma arma nuclear não está acordado. O “acordo” em si jamais foi assinado. As instalações militares iranianas estão imunizadas contra inspeções.
Os efeitos tangíveis do acordo são a modernização das capacidades militares do Hezbollah na fronteira norte de Israel e do Hamas na fronteira sul. Como se os 150.000 foguetes que o Hezbollah tem apontados para Israel e seu apoio iraniano não fossem uma causa suficiente de preocupação, a obsessão da administração Obama com a produção de um acordo com o Irã permitiu que o Hezbollah se tornasse um jogador desimpedido e principal no comércio internacional de drogas.
Os agentes do Irã no Iêmen, os Houthi, estão ameaçando o governo do Iêmen e os sauditas. A embaixadora Nikki Haley mostrou ao mundo um foguete dos Houthi lançado em direção à Arábia Saudita levando todas as marcas de projeto e tecnologia iranianos.
Seja o que for que se pense da visão estratégica de Obama ou sua falta em relação ao Oriente Médio, a política permissiva voltada para as operações de droga do Hezbollah vai significar mais produto barato nas ruas dos centros das cidades da América.
Se não tivesse havido um golpe militar, a administração Obama teria tornado o Egito em um vassalo da Irmandade Muçulmana. O Egito agora se voltou para a Rússia.
Desde os Acordos do Sinai na esteira da Guerra de 1973, o objetivo da América tem sido manter os russos fora do Egito. O apoio de Obama à fundamentalista Irmandade Muçulmana à custa de direitos humanos pôs fim a mais de 40 anos de diplomacia americana altamente elaborada.
Em 28 de novembro, o Kremlin anunciou um acordo com o Egito que permitirá à Rússia construir bases aéreas em solo egípcio e usar o espaço aéreo egípcio. Foi uma retaliação pelo apoio da administração Obama a Mohammed Morsi, apoio que persistiu mesmo depois que o tirano foi deposto.
Como os sauditas, os egípcios estão preocupados com a desestabilização da região causada pelo Irã e pelo ISIS. Os egípcios não mais vêem a América como um aliado de confiança. A Rússia foi capaz de ganhar uma posição tanto do lado iraniano como do egípcio no abismo do Oriente Médio.
O próprio Presidente Obama finalmente reconheceu, durante seu último ano de mandato, que suas políticas na Líbia resultaram em um vácuo de poder preenchido pelas filiais do ISIS e permitiu que a Líbia se tornasse um canal para o fluxo sem fim de imigrantes para a Europa.
Obama estava tão focado em derrubar o ditador Muamar Khaddaffi que não tinha nenhum plano para o que fazer depois. Somente depois que o caos explodiu em sua cara é que ele percebeu o que havia criado.
O Oriente Médio sempre foi instável, mas Obama, em sua inépcia, tornou-o ainda mais. Consequentemente, centenas de milhares vão morrer em conflitos militares e outros ficarão desabrigados. Milhares serão provavelmente vendidos como escravos, tal como ocorre agora nos mercados de escravos ao ar livre na Líbia, algo que nem Khaddaffi teria tolerado.
O legado de Obama em relação ao Oriente Médio está escrito no sofrimento de seu povo, na guerra inevitável entre os agentes de Israel e do Irã, na reemergência da Rússia como mediadora na região, e nas drogas que vão fluir até os centros de nossas cidades com a interferência na Operação Cassandra.”
(Abraham H. Miller, Obama’s Legacy: Empowering Iran And Russia)

http://dailycaller.com

domingo, 14 de janeiro de 2018

A política do bumerangue


"Assim intitulava Agustin de Foxá um iluminador artigo de ABC no qual explicava o declive da Grã-Bretanha, dedicada durante décadas a inocular todo tipo de venenos entre seus inimigos, para destruí-los. Depois de deixar cair o tzar da Rússia, depois de favorecer a dissolução do Império Austro-Húngaro no formigueiro de repúblicas de opereta, depois de enviar agentes a pregar a livre determinação dos povos entre as colônias das potências rivais, os ingleses pensaram ilusamente que um mundo enfermo de demagogia e ateísmo cairia estrepitosamente, enquanto eles permaneceriam indenes. Mas o bumerangue que haviam lançado retornou, ensangüentado, a feri-los; e sua política de esplêndido isolamento mostrou-se de alfenim diante da avalanche de males que haviam provocado, de tal modo que seu império não tardou a sucumbir.
Um processo semelhante está acontecendo diante de nossos olhos com os Estados Unidos da América. Lá pelos anos setenta, Washington assinou com Riad um pacto pelo qual o banco central saudita se comprometia a adquirir valores do tesouro americano por uma quantidade que nunca se soube com exatidão, mas que se presume ingente e que permitiu aos Estados Unidos endividar-se até extremos desquiciados, na confiança de que os petrodólares sauditas poderiam continuar adquirindo indefinidamente dívida americana. Ademais, os sauditas convenceram outros países produtores de petróleo da região a que vendessem seu petróleo unicamente em dólares, o que ainda inchava mais esta descomunal bolha financeira. Em troca, os americanos fizeram dos sauditas "sócios preferenciais" e se comprometeram a fornecer-lhes armamento e proteção militar, assim como aos Estados satélites da região que seguiram seu exemplo, assegurando que a demanda de moeda estadunidense nas transações internacionais (os célebres petrodólares) nunca decaísse. Se houvesse que se estabelecer um marco no qual a democracia entregou sua alma e se tornou definitivamente um regime protervo haveria que se assinalar, sem dúvida, este pacto com a Arábia Saudita: pois, à parte de pôr sob sua proteção uma dinastia execrável e de amparar um regime político que perpetrou (e continua perpetrando) os crimes mais horrendos, estava entregando ao caos a região e, por conseguinte, o mundo inteiro.
Esta obscura aliança explica, por exemplo, por que os Estados Unidos invadiram o Iraque (cujo governante, Sadam Hussein, se negava a comerciar em dólares). E também por que permitiram a ascensão do Daesh, que não é senão uma sucursal saudita encarregada de estender o sunismo em suas variantes mais oprobriosas. Em troca de entregar sua alma, os Estados Unidos puderam incrementar seu endividamento e destruir a economia de seus inimigos, mediante diminuições do preço do petróleo acordadas com a Arábia Saudita. Mas o bumerangue volta agora para ferir seu lançador: a diminuição dos preços do petróleo obrigou Riad a desfazer-se de valores estadunidenses, para evitar a quebra de sua economia, o que provocou o pânico bursátil; e, por sua vez, o Irã (única potência mundial xiita e rival encarniçado da Arábia Saudita) anunciou, após voltar ao mercado petroleiro, que cobrará de seus compradores em euros, seguindo o exemplo da Rússia e da China, que em seu comércio bilateral abandonaram o dólar.
Quando quisermos explicar o que acontece no Oriente Próximo, não devemos esquecer esta breve história. Tudo fica assim mais compreensível, desde a inoperância (cumplicidade?) dos Estados Unidos com o Daesh até as intoxicações russófobas. E, naturalmente, todas as calamidades que nos aguardam, ao redor da esquina."
(Juan Manuel de Prada, La Política del Boomerang)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Por que usarmos “ dívidas” e não “ofensas” na recitação do Pai Nosso

“Cristo ensinou e usou a palavra dívidas e não ofensas. Por que Jesus usou a palavra dívidas e não ofensas?
Porque as ofensas graves que fazemos a Deus nos são perdoadas no Sacramento da Confissão e não na recitação do Pai Nosso. Quando confessamos pecados mortais na confissão e somos absolvidos, o confessor ainda nos dá uma penitência, porque, embora tendo recebido o perdão da culpa grave e do castigo eterno que ela nos traria caso morrêssemos com essa culpa grave, temos ainda dívida com Deus que procuramos pagar com a penitência.
Foi Lutero quem atacou o Sacramento da penitência. Esse heresiarca dizia que tudo o que o homem faz é pecado. Até rezar seria pecado. Lutero então considerava que o homem é incapaz de fazer o bem, de fazer penitência. Por isso era contra as boas obras. O homem deveria ter fé que estava perdoado. E como prova que confiava no perdão e que acreditava que se estava perdoado, Lutero recomendava pecar e não rezar. Pecado sem medo provaria que se acreditava plenamente no perdão.
A distinção católica entre o perdão das culpas mortais, no sacramento da Confissão, e o pedido de perdão das ofensas, provém da distinção entre culpas leves e culpas graves que Lutero negava. Para ele tudo era igualmente pecado. Ele não diferenciava pecado grave de pecado venial. Daí, os que mudaram no Pai Nosso a palavra dívidas por ofensas – dividas que nos restam pagar mesmo depois da absolvição sacramental - terem acabado com o confessionário e com a confissão pessoal. Eles introduziram abusivamente a absolvição coletiva, que o papa Bento XVI tem combatido.”

www.montfort.org.br

domingo, 7 de janeiro de 2018

A tentação da misericórdia

“O demônio leva os pecadores ao inferno, não com os olhos abertos, mas fechados: primeiramente os cega, e depois os leva a penar inteiramente em sua companhia. (…) “Faz este pecado que depois te confessarás”. Este é o engano com que o demônio tem levado ao inferno milhares de cristãos. Porque é difícil encontrar um cristão que tenha propósito de condenar-se. Todos quantos pecam, pecam com a esperança de confessar-se; e por isso têm-se condenado depois tantos. “Mas Deus é misericordioso”. Aqui tendes outro engano com que o demônio instiga os homens ao pecado e a perseverar nele. Disse um autor que mais almas conduz ao Inferno a falsa esperança na misericórdia de Deus que a justiça divina. E assim acontece, efetivamente, porque, confiando cegamente muitos na misericórdia de Deus, continuam na senda do pecado, e se condenam miseravelmente. “Deus, dizem, é misericordioso”. Ele o é em verdade: ninguém o nega. No entanto, quantos envia ao Inferno a cada dia? É misericordioso com os pecadores, mas somente com aqueles que se arrependem de tê-lo ofendido, e temem voltar a ofendê-lo. Mas com aqueles que abusam de sua misericórdia para mais ofendê-lo, é justo.”
(Santo Afonso de Ligório, Sermões Abreviados para Todos os Domingos do Ano)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Foi Maomé possuído por demônios?


“Os maometanos alegam que o anjo "Gabriel" revelou o Alcorão a Maomé através de visitações angelicais. No entanto, se formos a ler o próprio material islâmico, algumas questões invariavelmente surgem:
1. Durante estas visitas alegadamente "angélicas", porque é que Maomé pensava que ele estava possuído, chegando ao ponto de tentar por diversas vezes o suicídio como forma de se aliviar?
2. Porque é que Maomé exibiu os sinais clássicos de possessão demoníaca em oposição às "normais" visitas angélicas tal como descritas no Novo Testamento, também supostamente revelado por Alá (Sura 5:47)?
Estes sinais e traços demoníacos são normalmente mencionados na Bíblia bem como em textos ocultistas e da Nova Era. O Apóstolo Paulo escreve em Gálatas 1:8: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema."
Qualquer pessoa que alegasse ter recebido revelação Divina ou angelical que contradiz o Evangelho de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, segundo a Bíblia, essa pessoa é falsa e está sob uma maldição. Para além disso, eis o que a Bíblia diz da fonte dos falsos ensinamentos e das falsas revelações, "dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (1 Timóteo 4:1). E diz ainda:
Ele [Satanás] foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. João 8:44
Características da possessão demoníaca na Bíblia comparadas com o comportamento de Maomé
Na Bíblia, sempre que há uma revelação angelical dada ao homem, não há uma única instância onde o anjo invade ou possui o individuo, colocando o homem sob o controle total do anjo. Há várias ocasiões onde os homens recebem a visitação dum anjo (Lucas 2:9-20, Mateus 28:1-7, Atos 10:1-7, Daniel 10:4-21) ou a visitação de Deus (Isaías 6, Atos 9:3-9, Atos 9:10-16, Atos 10:9-16) mas nenhum dos indivíduos é tomado fisicamente, e controlado de forma a que ele fique incapacitado de agir segundo a sua vontade.
Certamente que não há qualquer parte da Bíblia onde Deus possui uma pessoa de modo a que ela 1) caia num transe ou em coma, 2) fique incapacitada de se comunicar, 3) seja fisicamente prejudicada, 4) espume da boca, 5) faça grunhidos e sons de forma descontrolada, 6) fique com tendências suicidas.
Existem, por outro lado, várias descrições de atividade demoníaca, onde um espírito imundo entre dentro dum indivíduo causando que ele exiba certas características notavelmente semelhantes com as que Maomé exibia sempre que ele estava sob a influência de "Gabriel".
Habitação ou Possessão [demoníaca]
“E de fato olhei para ele enquanto a revelação descia sobre ele num dia extraordinariamente frio; e depois ele deixou-o enquanto a sua sobrancelha estava coberta de suor.” (Mishkat IV, p. 360)
“Mas Paulo, perturbado, voltou-se, e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.” Atos 16:18
Espumando da Boca
"Depois dum ataque de tremores e depois de ter fechado os seus olhos, abatia-se sobre ele [Maomé] algo parecido com um desmaio, e a sua cara espumava e ele rugia como um pequeno camelo." (mizanul MizanuŸl Haqq, p. 345)
"E trouxeram-lho; e, quando O viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando." Marcos 9:20
Gritando ou Gemendo
"...abatia-se sobre ele… e ele rugia como um pequeno camelo." (mizanul MizanuŸl Haqq, p. 345)
"Eis que um espírito o toma, e de repente clama, e o despedaça até escumar." Lucas 9:39
Causando danos físicos
"O anjo agarrou-me (à força) e pressionou-me com tanta força que eu já não conseguia agüentar. Ele libertou-me e disse-me outra vez para ler, ao que eu disse "Eu não sei como ler". Ele voltou a pegar em mim e pressionou-me uma segunda vez até eu não poder mais. Ele libertou-me e disse-me outra vez para ler, ao que eu voltei a responder, "Eu não sei ler" "ou o que é que eu tenho que ler?" Ele agarrou-me pela terceira vez e voltou a pressionar-me. Depois libertou-me." (Sahih Bukhari 1,1,3)
"E, quando vinha chegando, o demónio o derrubou e convulsionou; porém Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai." Lucas 9:42
"E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo… E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras… Porque lhe [o Senhor Jesus] dizia: Sai deste homem, espírito imundo." Marcos 5:2,5,8
A Bíblia também não tem incidente algum onde um homem visitado por um anjo de Deus o confunde com um anjo demoníaco. Desde o seu primeiro encontro com "Gabriel" que Maomé sentiu que estava possuído por um demônio. Para além disso, ele reconheceu e entendeu os seus sintomas como sendo de origem demoníaca visto que ele estava preocupado que alguém visse o seu comportamento e chegasse à mesma conclusão. (Ele temia se acusado de estar possuído e de seguir demônios).
"Temo começar a ser um mágico, antes que alguém proclame que eu sou um seguidor do Jinn (espírito)" e outra vez "Temo que haja loucura" (ou possessão demoníaca) "em mim." (mizanul MizanuŸl Haqq, p. 345)
Obviamente que ele estava assustado, e chegou a confessar à sua esposa Khadija o medo que tinha dele poder até estar possuído por um espírito maligno… Acometido de pânico, Maomé levantou-se e perguntou-se a si mesmo, "O que foi que eu vi? Será que a possessão demoníaca que eu tanto temia finalmente aconteceu?"… Quando ele ficou mais calmo, olhou para Khadija como alguém que precisava de ser salvo e disse, "Oh, Khadija, o que aconteceu comigo?" Ele contou à sua esposa que temia que a sua mente o tivesse traído por fim, e que ele se havia tornado num vidente ou num homem possuído. (Haykal, The Life of Muhammad, p.73-75)
"Cobre-me, cobre-me!" Eles cobriram-no até que o seu medo acabasse; depois dele ter dito tudo o que lhe tinha acontecido, ele disse, "Temo que algo tenha acontecido comigo." Sahih Bukhari 1,1,3
Maomé estava com tanto medo que foram precisas outras pessoas para lhe dizerem que o que ele tinha visto não era um demônio. É interessante notar a diferença entre as visitações angélicas relatadas na Bíblia e as visitações que ocorreram ao "profeta" do islão: Maomé rapidamente notou que ele estava ou tinha estado possuído enquanto que as visitações Bíblicas deixaram os visitados com um enorme sentido de santidade, temor, e terror devido à sua natureza pecadora na presença de tal ser (Lucas 2:9-20, Mateus 28:1-7, Revelação 19:10, Revelação 22:8-9).
Maomé foi agredido de forma violenta, ficou a temer pela sua vida, e colocou a hipótese de estar possuído depois de ter tido um encontro com "Gabriel".
A Natureza das "revelações" de "Gabriel" a Maomé
Há muitas situações onde o Alcorão afirma que os Evangelhos revelados previamente foram dados por Alá. Para além disso, o Alcorão diz aos Cristãos para fazerem julgamentos com base no que Alá "lhes revelou".
"Ó vocês que acreditam! Acreditarão em Alá e nos seu mensageiro, e nas escrituras que ele revelou ao seu mensageiro, e na escritura que ele revelou antes desta última.” Sura 4:136
E depois deles (profetas), enviamos Jesus, filho de Maria, corroborando a Torá que o precedeu; e lhe concedemos o Evangelho, que encerra orientação e luz, corroborante do que foi revelado na Torá e exortação para os tementes. Sura 5:46
Que os adeptos do Evangelho julguem segundo o que Deus nele revelou, porque aqueles que não julgarem conforme o que Deus revelou serão depravados. Sura 5:47
Dize: Ó adeptos do Livro, em nada vos fundamentareis, enquanto não observardes os ensinamentos da Torá, do Evangelho e do que foi revelado por vosso Senhor! Porém, o que te foi revelado por teu Senhor exacerbará a transgressão e a incredulidade de muitos deles. Que não te penalizem os incrédulos. Sura 5:68
Os Evangelhos e todas as Escrituras do Novo Testamento têm a Revelação da verdadeira Natureza e caráter de Deus, a Boa Nova do Senhor Jesus como Deus que tomou a carne Humana, vivendo uma vida que todos nós deveríamos viver, dando a Sua vida como sacrifício para os pecados do Seu povo, ressuscitando dos mortos triunfante sobre a morte, e ascendendo ao céu onde está à Direita do Pai, de onde Ele intercede por nós.
Se Maomé iria receber revelação angelical que alegaria que o que havia sido revelado previamente era da parte de Alá, e prosseguisse instruindo os Cristãos para manter os Evangelhos e julgar de acordo com eles, seria de pensar que a revelação Alcorânica que Maomé recebeu por parte de "Gabriel" estivesse de acordo com as verdades listadas nos Evangelhos. Mas não está. De fato, as revelações de "Gabriel" contradizem e debilitam os Evangelhos de todas as formas possíveis e imaginárias. As alegadas revelações de Maomé
1. Negam a Natureza Triuna de Deus (sura 4:171), enquanto que a Natureza Triuna de Deus está bem patente nos Evangelhos (Mateus 3:16-17)
2. Nega que Alá seja pai de alguém (4:171) enquanto que a Paternidade de Deus está bem visível nos Evangelhos (Mateus 3:17, João 2:22-23)
3. Negam que o Senhor Jesus tenha sido Crucificado (4:157-158), enquanto que YHWH deixa bem claro que Ele enviou o Senhor Jesus para que Ele fosse sacrificado como parte da expiação (Marcos 15:21-41)
Porque é que "Gabriel" iria dar revelações contraditórias a Maomé se supostamente Alá havia revelado previamente tais verdades imutáveis? Nenhum dos 3 pontos listados acima pode ser reconciliado, visto que eles contêm alegações contraditórias sobre a Natureza e o plano de Deus. Para além disso, o Próprio Senhor Jesus declarou o caminho para a Salvação em João 14:6:
Disse-lhes Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.
Pode Deus ter uma Natureza contraditória? Pode Ele ser Triuno em Natureza mas depois negar isso mesmo mais tarde? Pode Ele alegar ser o Pai, mas negar isso mesmo mais tarde? Pode Deus alegar ficar satisfeito em oferecer o Seu Filho para remissão dos pecados do Seu povo, mas negar isso mesmo mais tarde? Só se Ele for um mentiroso e um enganador. Isto não é possível com o Deus Verdadeiro, mas faz parte da natureza de Satanás enganar as pessoas desta forma:
Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa: porventura diria ele, e não o faria? ou falaria, e não o confirmaria? Números 23:19
Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. João 8:44
À luz destes pontos mencionados acima, é quase certo que Maomé foi na verdade possuído por um demônio por várias vezes, e recebeu um falso evangelho e ensinamentos falsos. Para além disso, ele exibiu muitos traços clássicos de possessão e a revelação que ele recebeu contradiz e contém alegações de verdade inconciliáveis em relação à Natureza de Deus. (...)
AMADOS, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há-de vir, e eis que está já no mundo. 1 João 4:1-3.”

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Da seita neomodernista que ocupa a Igreja Católica


“Cinquenta anos depois do Concílio Vaticano II e da reação do movimento tradicionalista na subsequente crise da Igreja, podem-se distinguir três tendências divergentes sobre a relação a ter entre a Igreja Católica e a Igreja oficial. Quer dizer, entre o corpo místico de Nosso Senhor Jesus Cristo e os clérigos e fiéis unidos à hierarquia e às reformas pós-conciliares.
Para uns, são duas igrejas substancialmente distintas, absolutamente separadas, e não se pode pertencer às duas ao mesmo tempo. Estas duas igrejas têm uma fé diferente, ritos diferentes, uma legislação diferente. A lógica os leva também a já não rezar publicamente pelo papa atualmente reinante, porque ele é papa de outra Igreja, que não é – ou já não é – católica.
Para outros, ao contrário, a Igreja oficial, hierárquica, romana, conciliar não é uma Igreja à parte, mas sim a Igreja Católica real, una, a verdadeira, a visível, a Igreja de hoje, e é inadmissível fazer uma distinção real entre a Igreja conciliar, oficial, e a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A lógica levará também a procurar a pertença oficial, visivelmente, canonicamente, a esta hierarquia, para bem assegurar a pertença à única Igreja, católica e apostólica.
Estas duas concepções, durante já cerca de meio século de debates entre tradicionalistas, dividiu-os e levou-os a formar duas pontas extremas, conhecidas comumente por “sedevacantistas” e “acordistas”. Nossa análise pode parecer sumária, mas a experiência o tem provado: quando um tradicionalista, clérigo ou leigo, já não faz a distinção entre a Igreja oficial e a Igreja católica, ele acaba um dia ou outro se colocando a serviço da primeira, e assim abandona o combate da fé exigido pela segunda nestes tempos de clara e geral apostasia.
Na verdade, o problema é mal colocado, e permanece um dilema entre dois termos de uma alternativa. Pois há uma distinção a fazer entre a Igreja oficial e a Igreja Católica, e ela foi feita por todos os nossos antigos combatentes da fé depois do concílio. Basta que refresquemos a memória e nos lembremos de fórmulas bem conhecidas: “A Igreja ocupada”, “Roma ocupada”.
A Igreja conciliar e neomodernista não é portanto nem uma Igreja substancialmente diferente da Igreja Católica nem absolutamente idêntica; ela tem misteriosamente algo de um e de outra: é um corpo estranho que ocupa a Igreja Católica. É preciso distingui-las sem separá-las.
Precisemos bem: um “corpo”, e não uma “doença”, uma “tendência”, um “espírito”, uma “concepção falsa” como se procura demonstrar no DICI n° 273, recusando em princípio considerar a Igreja conciliar como uma “sociedade distinta de outra” (p. 8). Esta negação poderia, rigorosamente, ser admitida no sentido definido acima, de uma sociedade absolutamente, substancialmente diferente da Igreja Católica. Mas ela nos parece perigosa, em seu sentido óbvio, e, em todo caso, contrária à doutrina de São Pio X, que qualifica os modernistas de associação secreta (cladestinum foedus; Motu próprio de 1 de setembro de 1910) que se oculta no seio mesmo e no coração da Igreja (sinu gremioque Ecclesiae; Pascendi, 1907).
O que o magistério ensina originalmente como modernismo, nossos antigos o chamaram em termos enérgicos de sujeito do neomodernismo, qualificando suas hierarquias de “seita”; e não se vê em que o princípio tenha mudado hoje em dia... Que se nos permita, mesmo se este debate desagrade hoje em dia a alguns na Tradição, trazer à memória algumas citações lapidares:
Dom Lefebvre: Isso é uma seita que se apossou de Roma, se apossou da alavanca de comando da Igreja” (Conferência em Flavigny, dezembro 1988, Fideliter n° 68, p. 10).
Padre Tissier de Mallerais: “[...] nas circunstâncias de uma Igreja ocupada pela seita progressista [...]” (Fideliter n° 53, p. 38, set-out 1986).
Padre Calmel: “[…] organizações ocultas de uma falsa Igreja, de uma Igreja aparente” (Itinéraires n° 123, p. 174, maio 1968); “Igreja aparente no seio mesmo da Igreja verdadeira” [...]” (Itinéraires n° 106, p. 178, set. 1966).
Padre Marcille: “[...] a seita no poder na Igreja [...] a seita conciliar a favor do poder que ela ocupa [...]” (Fideliter n° 96, pp. 67 e 71, nov-dez 1993).
Marcel de Corte: “É a parte que se erige para tudo, a seita que se erige na Igreja una, santa, católica, apostólica e romana. Por um instante, a parte permanece no todo que ela corrompe pouco a pouco” (Itinéraires n° 131, p. 266, março de 1969).
Jean Madiran: “[...] a seita campeada na Igreja [...]” (Itinéraires n° 137, p. 28, nov. 1969).
Henri Rambaud: “[...] a seita, pequena pelo nome em relação ao resto do rebanho, mas instalada nos postos de comando [...]” (Itinéraires n° 143, p. 111, maio 1970).
Resumindo com o Padre Berto: Jacques Maritain, em 1966, falou de “febre” neomodernista. Mas ele esquece que [se trata de] neomodernistas que jamais se admitirão tais, que permanecerão a todo custo no interior da Igreja, para “fazer crescer de dentro uma mutação substancial que não deixará da Igreja senão o nome [...]; eles constituem na Igreja uma associação secreta de assassinos da Igreja” (Itinéraires n° 112, p. 69, abril 1967).
Em 1964, em pleno concílio, Jean Madiran escreveu um artigo especial intitulado “A sociedade secreta do modernismo”, em Itinéraires. Cinqüenta anos depois, seu diagnóstico permanece ainda válido:
"Uma sociedade secreta, que consegue sobreviver quando é combatida, não vai conseguir prosperar quando já não for combatida? Depois da morte de São Pio X, ocupam-se de outra coisa, incluindo o modernismo doutrinal, jurídico, social, mas já não se ocupam da sociedade secreta instalada no seio da Igreja. A consequência de tal abstenção é que a sociedade secreta reforçou sua instalação, multiplicou seus progressos, desenvolveu seu poder; que é poder oculto e se torna muito maior; que ela foi muito mais forte para colocar à frente seus adeptos, para liquidar seus adversários, e para prevenir que se fale dela: impor um silêncio público a respeito dela mesma é o objetivo de todas as sociedades secretas." (Itinéraires n° 82, abril 1964, p. 100.)
Reduzir a Igreja conciliar e neomodernista a um conceito, uma tendência, um espírito, recusando-lhe o status de seita, de sociedade, de associação (Ecclesia=assembléia em grego), em que ela deve necessariamente se encarnar, e para qual de fato ela se move concreta e eficazmente, é ignorar os ensinamentos de São Pio X e de nossos antepassados na Tradição. Isso não é somente um erro teórico, mas também, em suas consequências práticas, uma predisposição de espírito a identificar pura e simplesmente a Igreja Católica, a que todos querem pertencer, e a hierarquia oficial e visível que a ocupa e a dirige depois de décadas, de que nós não fazemos (ainda) parte. Situação portanto “anormal”, que convém regularizar de uma maneira ou de outra.
Citemos algumas frases significativas de Dom Fellay: “O fato de ir a Roma não quer dizer que se esteja de acordo com eles. Mas é a Igreja. E é a verdadeira Igreja” (Sermão em Flavigny, em 2-9-2012, Nouvelles de Chrétiente, n° 137, p. 20.)
“A Igreja do Cristo está presente e move-se como tal, quer dizer, como única arca de salvação, somente lá onde está o vigário de Cristo” (Carta aos amigos e benfeitores de 13-04-2014).
“A Igreja oficial é a Igreja visível; é a Igreja Católica, e ponto final” (Sermão no Seminário de la Reja, 20-12-2014).
Compare-se com o que Dom Lefebvre disse a nossos padres reunidos em Écône, em 9 de setembro de 1988: “Nestes últimos tempos, disseram-nos que era necessário que a Tradição entrasse na Igreja visível. Eu penso que se comete nisso um erro gravíssimo, […] isso é enganar-se assimilando Igreja oficial e Igreja visível. Nós pertencemos à Igreja visível, à sociedade de fiéis submissos ao Papa, pois não recusamos a autoridade do papa, mas o que ele faz... Saímos, então, da Igreja oficial? De certa maneira sim, evidentemente. Todo o livro de M. Madiran A Heresia do Século XX é a história da heresia dos bispos, deve-se então sair do meio destes bispos, se não se quer perder sua alma” (Fideliter n° 66, nov.-dez.1988, pp. 27-28).
Concluímos: com são Pio X, guardemos sempre no espírito que os neomodernistas formam uma seita que não quer jamais deixar a Igreja Católica, que a subverte do interior, e que são seus piores inimigos, verdadeiros lobos revestidos de pele de ovelha.
Com Monsenhor Lefebvre, não nos juntemos aos “católicos que confundem a Igreja Católica e romana eterna com a Roma humana e suscetível de ser invadida pelos inimigos cobertos de púrpura” (Carta ao Figaro, de 02-08-1976).”
(Dominicanos de Avrillé, Revista “Le Sel de la Terre”, edição de inverno de 2015)

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Jorge Manrique: Oh Mundo, pois que Nos Matas‏


Oh mundo, pois que nos matas,
fosse a vida que existe
toda vida!
Mas segundo cá nos tratas,
o melhor e menos triste
é a partida
de tua vida, tão coberta
de tristezas e de dores,
despovoada,
de bens sempre tão deserta,
de prazeres e dulçores
despojada.

É teu começo choroso,
tua saída sempre amarga
e nunca amena;
o do meio, trabalhoso,
e a quem dás vida mais larga
lhe dás pena.
Assim os bens mal morrendo
e com suor se procuram
e no-los dás;
os males chegam correndo
depois de chegados duram
muito mais.


Tradução de Rubem Amaral Jr.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A teoria do milenarismo teve suas raízes na literatura judaica


“O Anticristo terá a pretensão de impor a seus súditos um rito análogo ao do batismo, onde os novos cristãos são marcados na fronte com o selo de Jesus Cristo. Todos estes servidores permanecem fiéis a Deus apesar da perseguição, são mortos, é verdade, aos olhos dos homens: mas, na realidade, havendo franqueado as portas de outro mundo, eles encontraram, na união de sua alma com seu Criador, uma vida nova muito mais perfeita que a daqui embaixo. E eles reinaram mil anos com Cristo.
Estas últimas palavras requerem algumas explicações, pois é por elas que se introduziu a doutrina chamada de milenarismo; doutrina rejeitada pela Igreja há séculos e que no entanto vê, de vez em quando, levantarem-se novos campeões a seu favor, sob o falaz pretexto de contar com a opinião favorável de vários Padres autenticamente ortodoxos. Seus partidários, os milenaristas, chamados também quiliastas, sustentam que, antes do dia da ressurreição geral, os justos retomarão seus corpos e, ressuscitados, reinarão mil anos nesta terra, na Jerusalém restaurada, com Cristo. Depois virá a segunda revolta de Satanás, o combate supremo contra a Igreja levado a cabo por Gog e Magog, a aniquilação dos rebeldes por Deus, e finalmente a ressurreição universal seguida do Juízo final. Haveria assim duas ressurreições sucessivas, separadas por um intervalo de mil anos: a dos mártires primeiro, depois o restante da humanidade.
A teoria do milenarismo teve suas raízes na literatura judaica, obcecada sempre com a idéia de um Messias reinando gloriosamente sobre a terra. Retomada, no tempo de São João, pelo heresiarca Cerinto, é exato que nos séculos II e III da era cristã, alguns Padres, e não os menores, o adotaram sob formas diversas e mais ou menos atenuadas. Podemos citar entre eles São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, etc...
Mas o parecer destes escritores não pode de nenhuma maneira ser visto como representativo da crença da Igreja: para que o testemunho de vários Padres possa ser considerado como a expressão da Tradição católica, é necessário, dizem os teólogos, “que não seja impugnado por outros”. Esta condição não existe neste caso: o mesmo São Justino reconheceu que a teoria milenarista estava longe de ser admitida por todos; Orígenes a reprovou e a tratou de necedade judaica. São Jerônimo rompeu deliberadamente com ela:
Nós não esperamos, escreveu, com as fábulas que os judeus decoram com o nome de tradições, que uma Jerusalém de pérolas e de ouro desça do céu; nós não nos submeteremos de novo à injúria da circuncisão, a oferecer carneiros e touros como vítimas, e a dormir na ociosidade do Sabá. Há muitos de nós que levaram a sério estas promessas, notavelmente Tertuliano em seu livro intitulado Da esperança dos fiéis; Lactâncio, em seu sétimo livro das Instituições; o bispo Vitorino, de Pettau, em numerosas dissertações e, ultimamente, nosso Sulpício Severo no diálogo ao qual deu o nome de Gallus. Quanto aos gregos, cito o primeiro e o último, Irineu e Apolinário.
Santo Agostinho pronunciou-se no mesmo sentido: se a princípio tem certas dúvidas, em seguida o vemos, em A Cidade de Deus, condenar claramente o quiliasmo, e esta opinião é a que prevaleceu a partir de então, tanto no Oriente como no Ocidente, na Igreja. A partir do século IV, não encontramos nenhum escritor católico digno de consideração que defenda o milenarismo, e o parecer unânime dos teólogos, entre os mais importantes Santo Tomás e São Boaventura, o descarta resolutamente.
Sem dúvida, na Idade Média, escreve o Padre Allo, Joaquim de Fiore e sua escola ensinaram uma doutrina que era uma espécie de milenarismo espiritual, mas que não se deve confundir com o quiliasmo antigo. Este não perseverou mais que em certos luteranos ou nas obscuras seitas protestantes; bem raros são os exegetas católicos que se esforçam em renová-lo sob uma forma atenuada e conciliável com a ortodoxia. Ainda que o quiliasmo não tenha sido qualificado como heresia, o parecer comum dos teólogos de todas as escolas vê nele uma doutrina errônea à qual certas condições dos tempos primitivos puderam arrastar alguns antigos Padres.
A expressão: E eles reinaram mil anos com Cristo deve então, como já o indicamos, entender-se em um sentido místico. Os mil anos designam todo o período compreendido entre o dia em que Cristo, por sua Ressurreição, abriu o reino dos céus, franqueando as portas com sua Santíssima Humanidade, e o dia que, graças à ressurreição geral, os corpos dos eleitos entrarão nele. Mas as almas dos bem-aventurados já estão ali, estreitamente unidas Àquele que é sua verdadeira vida; elas participam da glória de Cristo, elas constituem sua corte, elas reinam com Ele.
(…) Em que consiste esta primeira ressurreição? Em sair, pela penitência, do estado de pecado, em afastar-se da morte espiritual, a recuperar a vida da graça. Todos aqueles que saibam tomar parte nela e perseverar serão um dia bem-aventurados e santos: bem-aventurados porque eles obterão a beatitude saindo deste mundo; santos, porque eles serão estabelecidos e confirmados na glória, de tal maneira que a segunda morte, ou seja, a condenação eterna, não terá nenhum poder sobre eles. Eles serão os sacerdotes de Deus e de Cristo, eles oferecerão sem cessar o sacrifício de louvor a Deus autor de todo bem, e ao mesmo tempo a Cristo, agente de nossa Redenção; e suas almas reinarão no céu com Ele durante mil anos, ou seja: até o dia em que seus corpos lhes serão devolvidos.”
(Dom Jean de Monléon, O.S.B, Le Sens Mystique de l’Apocalypse)

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Taharrush

“O "enriquecimento cultural" nos trouxe uma nova palavra: Taharrush. Lembre-se bem dela, porque teremos que lidar muito com ela. Taharrush é a palavra em árabe que denota o fenômeno através do qual mulheres são cercadas por grupos de homens e assediadas sexualmente, tocadas, agredidas e estupradas. Depois da taharrush que ocorreu na cidade de Colônia na Passagem do Ano Novo, muitas mulheres alemãs compraram spray de pimenta. Quem pode condená-las?
Uma cultura que tem uma palavra específica para uma gama de assédios sexuais cometidos por grupos de homens é um perigo para todas as mulheres. A existência da palavra indica que o fenômeno é generalizado. Frau Merkel, Primeira Ministra Rutte e todos os políticos partidários da política de portas abertas deveriam ter conhecimento disso.
O mundo islâmico está mergulhado na misoginia. O Alcorão preconiza explicitamente que a mulher vale a metade do homem (Surata 2: 228, 2: 282, 4:11), que as mulheres são impuras (5:6) e que o homem pode ter relações sexuais com sua esposa quando ele bem entender (24:31). O Alcorão chega até a dizer que aos homens é permitido possuir escravas sexuais (4:24) e que eles têm o direito de estuprar as mulheres que capturam (24:31).
Hádices, a resenha da vida de Maomé, o ser humano ideal cujo exemplo deve ser seguido por todos os devotos da fé islâmica, confirmam que as mulheres são objetos sexuais, que elas são seres inferiores como os cães e macacos e que não há nada de errado com a escravidão sexual e com o estupro de prisioneiras.
Taharrush é muito comum em países islâmicos. As mulheres são frequentemente cercadas por homens e violentadas. O Website egípcio Jadaliyya destaca que o abuso também é cometido contra mulheres cobertas com o véu islâmico. As mulheres são vítimas simplesmente porque são mulheres e não porque elas se insinuaram ou porque sua conduta ou vestimenta são "provocantes". O abuso pode acontecer na rua, no transporte público, em supermercados ou em meio a uma manifestação de protesto.
Em 2011 Lara Logan, repórter de uma TV americana, teve sua roupa rasgada e foi logo "violentada com as mãos" por um grupo de 200 homens na Praça Tahrir no Cairo. Dois anos mais tarde, uma jovem holandesa também se tornou vítima da taharrush na mesma praça. Agora, juntamente com a entrada de migrantes do mundo muçulmano, esse fenômeno também chegou à Europa. A elite tentou esconder o fato da população, mas isso já não é mais possível.
Cartunistas já sentiram o gosto de assassinos islâmicos batendo em suas portas quando ousam fazer algum desenho de Maomé. Agora milhares de mulheres em Colônia e em outras dezenas de cidades alemãs e através da Europa, como Zurique, Estocolmo, Malmo e Viena, passaram pela experiência dos estupradores estarem escondidos atrás das portas esperando que elas ousem sair na rua.
Islã significa submissão. E há uma boa razão para isso. A chegada do Islã levou à redução das liberdades ocidentais sob a ameaça da violência. E essa ameaça só irá aumentar. É um processo capcioso que levará todo o Ocidente a se curvar ao Islã.
Na semana passada a prefeita de Colônia aconselhou as cidadãs da cidade a manterem certa distância de homens estranhos. Em Viena, o chefe de polícia ressaltou que seria melhor que no futuro as mulheres não saiam sozinhas nas ruas. Parece que a Áustria logo será parecida com a Arábia Saudita, onde não se permite que mulheres andem pelas ruas desacompanhadas. Mais cedo, na Holanda, as mulheres de família que abrigam candidatos a asilo já tinham sido aconselhadas a usarem roupas "apropriadas" (mesmo dentro de casa), "de modo que nada de vestido de festa ou costas descobertas" e para se certificarem de nunca ficarem sozinhas em um ambiente com candidatos a asilo do sexo masculino.
Mas o comportamento das mulheres nada tem a ver com isso. Além disso, é uma desgraça que as nossas mulheres sejam aconselhadas a mudarem seus hábitos porque o governo convidou milhares de homens perigosos a ingressarem em nosso país. Quando se importa o Islã para a Holanda, também está se importando a cultura misógina do Cairo, Damasco, Riad para as nossas cidades. Além dos lenços de cabeça, burcas, mesquitas, assassinatos em nome da honra e terrorismo, agora também temos a taharrush.
A solução não está na atitude das nossas mulheres de manterem certa distância desses bárbaros e sim do nosso governo de manter esses homens a milhares de quilômetros de distância de nós. Até que isso aconteça outras medidas são necessárias. É uma irresponsabilidade transformar nosso país em uma selva e depois mandar mulheres desarmadas para o interior desta selva. Elas devem no mínimo ter o direito de se defender. Diferentemente de países como a Alemanha e a França, em nosso país o uso de spray de pimenta é ilegal. Considerando que a Holanda está sendo inundada por homens que vêem as mulheres como brinquedos sexuais inferiores, está na hora de legalizar o spray de pimenta em nosso país como arma de defesa contra a taharrush.”
(Geert Wilders e Machiel de Graaf, Give Women the Right to Defend Themselves)

Tradução de Joseph Skilnik

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